quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Dos enganos da vida



*


Vês essa pétala
que sem cor e sem vento
acordou sozinha?

Há mais do que medo
nessa eterna aventura
que tira a vida e a recria,
perdida.

Há dor,
Há saudade,
Há pétala,
que partindo,
se despede
incerta
e
vai.

Não alcançará mais jardins,
nem rios,
nem outro jasmim,
nem carroça ou lagoa.

Mas,

bailará com o vento,
com tal sofrimento,
que até a vida atordoa!

Se cai,
se ri,
se chora,
Se voa,

Não se sabe,
não se sabe.

Morreu esta pétala
que um dia foi flor...
sem medo ou angústia

Em inércia profunda

Apaixonada
Pelo vento
deixou-se levar
- iludida -
num último pôr de sol
de uma tarde
pérfida

Vês, filha?

Vês essa pétala
que sem cor e sem vento
acordou sozinha?


(Jessiely Soares)

Do amor que não entende


O meu amor
não entende de medidas,
nem de distância nenhuma.

Nem mesmo conhece
a nuvem,
que de tão alta,
não se perfuma.

Não sabe guardar
segredos,
não entende de medos,
não teme as ausências
e por isso,
não agoniza, perdido,
nas tristes noites da rua.

O meu amor
é inteiro
enquanto é dividido.

Dessas angústias ele não entende,
nem de dores
ou de tristeza alguma.


(Jessiely Soares)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Dos desejos







*


Teus olhos percorrem soltos
As letras
Que tatuam teu nome

Gravadas com partículas vítreas
Em minha válvula cardíaca

Entre espirais de fogo
Azul
De células desvirginadas
Que morrem
No meu horizonte.

E ventos que arrebatam pérolas
Enquanto o êxtase consome
(a vida)




(Jessiely Soares)

Dos desenhos



Desenho flores como espinhos
sombreadas com alucinação

Planto sementes de
medo
que irão resultar
em paixões

Rasgo pulsos como
gatos
que rasgam a lua cheia.

E de pés descalços
trago passos
para a madrugada
derradeira.


(Jessiely Soares)

Do amadurecimento


*

Vou redesenhar os mapas
perdidos no limbo
da minha memória
falha.

E enxugar as goteiras
da minha pele
nas areias
espalhadas
pela estrela primeira

nos monte alheios
da noite fechada.

E não mais regredir passos
nos espaços escalados
por algum cego indeciso;

Creio porque quero crer
milagres não me seduzem

Envelhecer é ofício divino.



(Jessiely Soares)

Dos pecados.



*


Todo verso
carrega consigo,
como poetas
em pleno cio,
farsas, dores e pecados

palavras que singram sem rumo,
altas doses de absurdo,
desejos mudos e surdos

e um
eu te

a

_____/

__________mo

rasgado





(Jessiely)

Da inspiração



Seu olhar causou
arrepio
E a noite sumiu
Passou.

Agora sou só a sua imagem
repetida
Em prosa,
Poesia

Versificando
Dor.

Do samba e luz dos olhos



Teus olhos
Refletem raios solares
Sobre a terra fértil
Do teu rosto

Teus lábios
Respondem a apelos secretos
E o samba embala...
Me embala.

E pena que Noel
Não saiba
Que roubo o samba que te lembra
Todas as noites antes de dormir...

"Faço junto do piano esses versos pra você
Esses versos pra você, esses versos pra você"

E adormeço fingindo
Que te tenho aqui.

(Jessiely Soares)

Das nuvens e inocência



Separo
A dor das visões
Que me prendem
E me dilaceram


Divido
As pressões inatingíveis


As horas
desenham
O tempo

Que coloca em
movimento
Os meus
muros
e
divagações


E finjo-me criança
Enxergando de novo
Carrosséis em nuvens

Sem imaginar
A tempestade que se aproxima.

Da solidão e tristeza


*

Calada
Nessa casa vazia de almas
E tão cheia de gente
Pessoas que vão e vem
Somente.


As horas passam
E ninguém nota
Que estou sozinha


Um eco sem pudor
impera
O ambiente claro
Irrita os olhos sensíveis
Do coração


E o espelho reflete
atrevido
A esfinge que sou


Dos olhos pra fora.


(Jessiey Soares)

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Dos versos e insônia


Dorme.


Que teu olhar
cerrado
Abre de outro lado
Uma janela
Modesta.


E Enquanto


Eu sento
E escrevo sozinha
acredite
Sou o fio de luz
Que te banha
Pela fresta


Da tua persiana
Entreaberta.





(Jessiely Soares)

Da suavidade do teu sorriso



Não acho motivo algum
Para definir
As vidas
entrelaçadas


Nem todos os filósofos do mundo
Compreendem nossas páginas recém riscadas


Como nenhum dos sorrisos
noturnos
Podem sorrir com tanta suavidade


E não desejo objeções
Sonhos,
Palavras ou
frases


Sou apenas
Pardal brincando
Em tuas manhãs
Enevoadas.

(Jessiely Soares)

Da Partida



Não havia moinhos de vento
Nem devaneios visíveis
A olho nu


Só você segurando meu olhar
Como quem sustenta nos braços
Os hemisférios
Norte e sul.


E o céu como
Quem quer calar
Para não se envolver
Nas bocas que a vida separou


Deixou-se chover
suavemente
Entre nuvens dormentes
Mas não ficou azul.

(Jessiely Soares )

Do Nascer do Sol





Os dois sob o Sol
são
poemas
do acaso

Corpos, somente

que envolvidos
são abraços

espíritos
reféns
numa centelha

e o universo
insinuando-se
calado



(Jessiely Soares)

Sobre Versos e riscos


Vem

Escreve teus versos sobre a maré

Essa que desatina louca

As vertentes do fogo

E que instiga os sonhos

De quem se atreve

A perder seus versos

Nas vagas

leves


Segue

Que a noite é curta demais

Para os desenhos na areia

Para a grafite no muro

Para a nudez da lua


Pára de respirar e

Faz os versos bandidos

Nessa claridade crua

De desenhar sensações

Em rabiscos de palavras


Descansa

Mais leve agora

Depois de parir

Tua verdade obtusa

Nesse rodopiar seco de mundo

E estações de rádio


Agora


Dorme


Depois da mensagem

Jogada

E o risco de teus sonhos

Vai durar o bastante pra acalentar meus devaneios.


Até outra lua

Recriar a cachaça

Que embriagará outros amantes

Numa esquina

Ou sobre as pontes

Que cortam a cidade

De muitos artistas com sonhos bêbados.


(Jessiely Soares)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Segredos






*



O rio sussurra
Durante a passagem
Silêncios inabitáveis


Só aquela flor
Desbotada,
embalde
Conhece os mistérios

Que
vão, vão.

Em sua eterna
susceptibilidade


As águas mansinhas
E turvas
Oriundas de tantas
fúrias
Não conversam
Com o mundo
Em meio à escuridão.


Apenas aquele resquício de vida
Minúscula e descolorida
Contém os amores
E as esperanças perdidas
Que o rio sussurrou


- Dos trigais a deitar
Com a força do vento
Dos moinhos
Dos filhos
Dos mananciais
E o choro de Deus
Que serenou tantos cais -


Descalça
naquelas
águas
Nada ouço: o segredo emudeceu.


Que seja!


O que passa
Guarda um silêncio
fadado àquela
flor que o vento enleia e que não saberá
nada além que seu próprio passado.

Eu
Fico às margens

Sem compreender
O ciciar
Do rio


Mas posso esperar
Meu futuro
De olhos fechados.



(Jessiely)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Monstros


Caminhe devagar pela casa
do meu peito para não acordar
os monstros que espreitam
e tentam me assustar


Dizendo que o seu olhar
partiu e que não vai voltar.


Cuidado !
Meu teto é antiga construção
arquitetada por loucos em fuga
do meu coração,


Pise vagarosamente
não faça barulho
não ceda à tentação,


Mas, deixe ao léu com raiva perturbadora
cada pedaço de mim
que se deixou consumir por você,


Prossiga!
porque a estrada é nua
e seus passos certeiros
traçam o percurso que só você poderá construir
ou perecer,


Meu rumo está devastado!
Seus passos perdem-se aqui,


Mas, ao menos sussurre que me ama,
e não me deixe dormir.


(Jessiely)

domingo, 25 de novembro de 2007

Maré Cheia


Na noite
em que tua voz cintilou
por entre tantas outras vozes
senti
os fogos de artifícios
explodirem na tua pupila.


Tornei-me astro
em teu sistema
num ponto qualquer
que me refletia.


Na velocidade
do pulsar das minhas veias
percorri teus pensamentos
e por alguns breves momentos
me senti completa,
plena,


-como onda voraz
que se eleva
na fúria da maré cheia-
E me lancei
na incerteza de ser flor
ou teorema.

No barulho das sandálias descalças
pelas poças d´água
depois do avanço do mar

Dos respingos
de brisa salgada
que paralisava a vida
em contato com o ar


Fui brisa
ou vento alísio
feliz por ser quem sou

Assanhei teu cabelo
roubei um pouco do teu cheiro
e meu cais serenou.




(Jessiely)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Te guardo aqui



Parada
Não sou areia
Nem ventania
Sou como onda
Já rebenta
Em teu olhar

Paraíso?
A inércia
Dos minutos ritmados
Com o bailar
Dos teus cabelos
Vento manso
Espuma branca
Mar bravio
Ainda trago
Tuas marcas
Em meu espelho.

Sabe-se lá
quantos
monstros
marinhos
perderam-se
Nas vagas
Que insistimos
Em atravessar.

Terra firme
Não tão firme
Quanto tua voz
escondida
Sob seixos,
Sob relva
respingos
salgados
Que se misturam
Ao vinho
No silêncio
________[da espera].

Minha voz
perdida
Na tua
Onde o mar
De ambos os lados
Chora e lança-se
Entoando cânticos
As deusas nuas
Porém tristes

- eu canto
apenas
Para agradecer
Que tu existes-

Dorme em seu leito
Vis tesouros
naufragados
De tantos navios
Que passaram
E eu não vi.
Na terra firme
Vive meu anjo
barroco
De tão
embriagado
Em seu vinho
barato
Nem desconfia
Que o observo
A dormir.

Enquanto
As sereias nuas
enfeitiçam
Os canoeiros
Eu te guardo
Aqui.



(Jessiely)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Tela de Monet


Sinto
Quando te olho
Que somos
Tal qual
Uma tela
De Monet.

De perto
Somos pingos
E respingos
Misturados.
matizes
embriagados
Tornando o concreto
(des)concreto

De longe
Se nos olharmos
veremos
Que somos
desenho
Que o destino
pintou
Certo.

Uma bela tarde de Sol
Uma ponte que cruza o jardim
Um canteiro
Rasgado a um canto*

Teu sorriso
Cheirando a Carmim
perdido
Entre flores
machadas
Minhas mãos que
Desenham tuas mãos
Brincando com
A sombra das calçadas
Tudo isso passaria
fugaz
Se não fôssemos
pintura
arraigada

Sim,
Tenho ainda mais
certeza
Somos tela nova
Ainda escorrendo
A tinta molhada
Somos mais que desenho perfeito
Somos pingos
pingados
No peito
De algum artista
bêbado
Da madrugada.

(Jessiely)

Immortale


Enquanto as horas
desenrolam-se
Em sua teia brilhante
De cadeias
seqüenciais

Eu raciocino.

Calada
Produzo pensamentos
Escandalosamente altos
Que projetam ao
Meu corpo
Todos os sons inaudíveis
Do teu olhar:

Inaudíveis para os outros
- pobres mortais-
Que não conheceram
Um amor
Como esse
immortale

Indelével
Não perece
Nem sob a mais
Torrencial chuva
Ou o mais
Inebriante Sol
E ainda assim
Não deixa de ser singelo
Como uma mariposa
Ou como Libélula,
Ou ainda como Alga marinha
(ou ainda como a luz salpicada
Sob o arrebol).

Nem
Deixa de ser sutil
Como quem ama no escuro
E se satisfaz
Com os próprios segredos
Com as próprias juras
-Indescritível
Mundo-

(Os sons produzidos
calam-se
Não está exposto
A ninguém
Seu respirar
Noturno.)

E eis que caminho
desenhando
Tudo isso
Nos riscos
bagunçados
Das nuvens passageiras
Enquanto perdem-se
As horas
Em desacordo comigo

Queria o tempo
parado
O caminho
parado
O vento,
Esse atrevido,
Passando devagarzinho

E esse Céu
Que cismou em me ouvir
pensando
E conspirou
Com meus cabelos
Para me
desconcentrar

Perdeu seu tempo
Entre os meus fios embaraçados
Que esvoaçam,
Esvoaçam,

Sempre
Existirão teus dedos
Que os prendem
suavemente
Enquanto tua boca
Feita de mil desejos
E que contêm todos os
segredos
me
desvenda(rá)

E sempre
Terá esse ruído
Mudo
De horas
imortais
Que insistem
Em
Recomeçar.
(Jessiely)

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Planar





Vejo-me
criança
E isso faz bem
Literalmente.

Finjo-me
bailarina
Com as mesmas
sapatilhas
Sentada ao lado
De um rio
- nascente -

Nascemos
Ora eu
Ora ele
Num afagar
de
ondulações

Desenho borboletas
Com asas
negras
E a alma
rosa
De leves paixões.

Não
Nem de longe
Sou a mesma
infante
Da qual me perdi

Sentada no
remanso
Sou apenas
Vestígio,
Estrela desastrada
Que caiu
Aqui

Desejo
Que se fez bendito
No passo
Solto e leve
Que me fez pairar

Agora
Sou corpo
inerte
que
Carrega o peso
De não
Saber planar.


(Jessiely)

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Girassol no meu olhar



Ninguém avisou
Que os segundos
Magoam o peito
Que antes eu
Julgava indolor.

Ninguém
explicou
Que o girassol
Em meus olhos
chora
E cada lágrima
derramada
Carrega um pouco
Da sua cor

Mas eu descobri

Meu rosto manchado
De certo matiz
Marrom amarelado
Carrega a dor
Solene da saudade

E essa brisa
indomável
Que carrega a chuva
Afaga os meus cabelos
Traz gotas
De orvalho:
Pura maldade.

Me deixam
calada
Com canções imaginárias
Pedaços de solidão
Numa terça feira
À tarde.


(Jessiely)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Entre as mãos


Vejo a borboleta
Que perdeu o rumo
Entre as promessas
(des)feitas.

Resignada
Ao fim
Em idade tão tenra
Ela ainda
Oferece à vida
A cor intacta
Da alma.

Vã oferenda

A vida detém as cores
E almas
furtivas
Tão ou mais coloridas
Que a dela, sutil
E já desfeita.

Só não tem
O detalhe
infinito
Da paisagem
Que desenhaste
No foco
Do meu olhar

Nas mesmas ondas
Que todo mundo

Que beija a areia
E apaga os beijos
Ao retornar

Tu d(escreves)tes
Um caminho
traçado
contínuo
Ao segurar minha mão

Nossos passos
Não ficaram
Mas a vida
Tingiu meus pés
Despitou segredos
Confessou sua razão.

O amor deixa suas cores
A vida se esvai
Mas as marcas que o mar
Não carrega
A brisa traz
escondida
Entre as mãos.



(Jessiely)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Anjo crescido


Um Anjo crescido
Acrescido de asas
Sentou-se a beira da minha cama,
E me falou, sobressaltado:

- Levanta que já é madrugada,
Dissipa-se o orvalho!

Eu, incrédula
Observei seus olhos
Amendoadamente cor- de- mel
E perguntei entusiasmada
Se ele caíra do Céu.

Mas ao invés de falar
Ele sorriu, gentilmente,
E mirou ofegante
A janela distante
Do meu aposento dormente.

- Levanta, já é madrugada!
Dissipa-se o orvalho!
Mira que lá fora ao léu
Aguarda-te o amado.
Ansioso por tê-la,
E caminhar ao teu lado.

Assim sussurrando
Um tanto mais calmo
Arrebatou-se o Anjo
Do meu prédio ao alto.
Deixou-me sentada
Com o meu melhor sorriso,
Respirando calor,
Sussurrando e sentindo:

“- Estou indo meu amor
Antes que o orvalho dissipe
Orvalha meu corpo
Contigo.”

E sem asas, parti,
Pelos teus caminhos notívagos.



(Jessiely)

Véu de estrelas


Durante a noite
Preso no firmamento
Um véu de brancas estrelas
Desenha teu rosto.

Eu, inanimada
Apenas imagino
Se no teu infinito
(re)desenhas meu corpo.

No que penso
Defino
Entre tantas invenções

Um encontro
Um destino
(segundas) intenções

E fico
Sagradamente deitada
Sob o céu de antigos
Sonhos estelares

E se miras
Meu rosto
Do teu trono
Sobreposto
Sobre os anos-luz universais

Verás que sou pedaço
De tua constelação
Estrela
Que te alimenta de luz

Nada mais.




(Jessiely)

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Teus Olhos Castanhos


O dia está seco


O Sol quase mata quem atravessa o leito seco do rio.
(caminha-se por toda a extensão rachada e marrom-acinzentada do que antes fora um límpido rio azul).

Os transeuntes apressam o passo.

Param debaixo dos Umbuzeiros como se quisessem retomar as forças para persistir na caminhada.
Recorrem às sombrinhas.
Algumas senhoras abanam as saias, na esperança que algum vento atrevido diminua-lhes o calor.

E necessitam. O calor está de matar, lá fora.

Eu aqui vejo tudo pela janela, debruçada sobre uma brisa que vem não sei de onde.

Porém, se teus olhos castanhos me fitassem e me pedissem para ficar alheio a tudo e te admirar na calçada.

Eu ficaria sob o Sol a pino.

Teria frio hoje.

(Jessiely)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Imaginando





E se não houvesse os caminhos,
Onde perco o que procuro?

E se não houvesse a mentira,
A dor, o absurdo?

E se não existisse o porém,
O por quê, o inexplicável?

Ou a dor que me persegue?
Ou o medo do acaso?
Ou a tristeza... A solidão?

E se não houvesse a saudade?
Que machuca, dilacera.

E se não houvesse a fome,
Naquela maldita viela?

E se eu não pudesse reinventar-me,
Ter ilusão?

E se não houvesse isso tudo...
Para que serviria a minha imaginação?

(Jessiely)

Canção.


Canção.



O caminho imperfeito
Eu sigo calada
-por fora, ao menos-.

Por dentro do peito
A canção se repete
desbravando
as
ladeiras

No meu corpo inerte.

E canto tão alto
Que a canção ressoa
Por olhos, ouvidos.
Na pele, na boca.
Usurpando os sentidos
Da tarde cabocla.

Mas, ninguém me ouve.
Se grito calada.
Se o que me cadencia,
É tua batucada,
Que dentro de mim
Acomoda, se espalha.

Tua voz ressoa, menino!
Devasta.
Teu canto no brilho
Do olhar
Fascinou.

Faço-me ouvinte,
Cantante,
d
e
s
g
o
v
e
r
n
a
d
a.

Por dentro deliro
Os meus descaminhos
Tua mão ritmou.

(De tanta voz tua
E tanto gesto teu
E tão meu,
No fim.)

Nossa canção,
Perfeita de gestos
De alguns traços sérios
Roubados por mim

Me en (cantou).



(Jessiely)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Louca e Pura





Lua
Na amplidão
observando-me
solitária
Esquecida,

redonda
pálida
nua

Não creia que sou
inocente
Ou que não conheço
Meu lado (obscuro)
Também tenho fases
- estou na rua -

Sei que sigo.
sozinha
Essa estrada

Saiba, conheço
Tua forma de
zombar
disfarçada

Finge que esconde segredos:

(- Não sei
Onde esta meu amor
Não me conte
Mais dissabor
Tenho medo.)

Vou seguindo;
A noite é clara,
A estrada fechada,
Iluminada por vaga-lumes.

Quero os braços
De quem amo
Para que não
Cesse o encanto
Nem a solidão
Se acostume.

Refaço a rota
Volto ao quarto
No reencontro
- sou louca
E pura -

Fecho as janelas
Não deixo frestas
Para a Luz

E os nossos
Corpos nus
Tu não verás

Lua.


(Jessiely)

Inerte


Pendurada na corda bamba
dos meus sonhos,
desafio a gravidade,
inerte e imune
à realidade.

Trago teu silêncio
persistente
para meu quarto.

Madrugada nas cortinas,
despida Lua
E teu retrato
orvalhando
pela cidade.

Pobre de mim
que lancei
meus desvarios
sob o nada
e perdi
minhas razões
em certezas absurdas.

Pobre desses sonhos
tão mutantes,
metamorfoses
lancinantes,
mãos fecundas.

- há sempre uma
tristeza
nessa sala
que me inunda -

Nesses momentos
de insensatez profunda,
sou menina.

E apenas
o teu olhar
castanho
me alucina.


( Jessiely)

Surya





O Sol
Que alimenta
Seu corpo
Nas madrugadas
Sem vida

Nasce em meu ventre
E te guia
De encontro ao céu:
Raios de Surya

O corpo que banho
A luz
Que a clara manhã
tece

É o mesmo
Que na noite
Foi teu
E o calor
Que se entrega,
entorpece

Ah, noites!
Nas quais te beijo
E renasço
-Entre prazer
E espelhos-

E que no fogo
No breu
Explosões...
Sol do escuro


Te aqueço.


(Jessiely)



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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Perfume de Mulher




Meu coração
Às vezes é janela
Às vezes, gaiola...

E me deixa sempre assim
Meio amparada,
Meio só.

Meu sentimento
Não tem regra:
magoa,
chora.

Noite fria
Me reclamo
Mas, não sei
Se me zango
Ou se me tenho
Dó.

(teu amor)
Ah, nem sei,
Tenho medo
(De ser só)

Meu passarinho
Não te prendo,
Nem te privo...

Repara bem
Se não sou
Ilusão de ótica
E sem me quer.

Não tenho
Tantos atributos
Quanto a Rosa
Mas, não
Me ressinto.

Prefiro ser
Girassol...
Com perfume de mulher.

Meu coração
É meio janela,
Meio gaiola

estarás
preso
A mim
se
Quiseres



(Jessiely)

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Maracatu


*




O Corpo corresponde
Aos apelos do som
Que me impõe
A cidade antiga

Os braços flutuam
Entre o Céu e a rua,
Entre a torre e o mar,
Entre o vinho e a Lua.

A ciranda que tece
O bailar ritmado.
Os pés que batem
Com força no chão

Um barco que aporta,
Um farol que ilumina,
A escada sem fim,
Que descortina a imensidão.

E o vinho
Que despertou as lágrimas
E te sorveu para o meu coração.

A Rua da Moeda,
As nuvens carregadas,
E a chuva
Que cismou em não cair.

Agora
Ouço
Maracatu
Longe
De ti.

(Amélia Jessiely Soares)

Cidade entardecida.




Qual lua desperta,
Estive em teus braços
No parapeito da janela, dispersa,
Cuja vista despencava
Numa queda sem fim
Dentro da cidade entardecida.

Os ritmos que
Transpiravam a alma
Faziam-me repensar
As certezas sobre a vida.

Na escada em caracol,
Pela torre mais alta,
Onde antes homens lutavam
Por sua terra,
Honra,
Vida.

- estive
Há poucos passos
De Deus,
Até pude sentir
Sua brisa -

E o sonho encerrou
Apenas por hora.

Com o vinho,
O beijo, a ciranda.
O Marco Zero.

E seguimos
Entre sorrisos e tropeços
A Conde de Boa Vista,
Observando olhares alheios

Deixando pelo caminho
O cheiro do mar,
O poeta na estátua antiga,
Os rastros da nossa história
Nas pontes
Sobre o rio
Sem vida

- mãos dadas
Pela cidade
Antiga -



(Jessiely)

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Proletaríssimo


Não quero ser
Pedaços de sonhos:
pesadelos
É que me dilaceram.

Sou apenas
Um sentido oculto,
De um segredo
Que me disseram.

Um ser antigo,
Não na pele,
Essa mera e
Mórbida camada
Que me reveste;

Sou antiga
Em sentido amplo
-Meu espírito não
Foi domesticado
Ainda é silvestre-

(sou sentimento mútuo
Em tempo de amor agreste)

Sou desejo incontido
Em toques
Desses, daqueles,
Aos quais não posso tocar.

E às vezes,
Faço-me orvalho
Pra finalmente
Me dispersar.

E nas madrugadas
Revitalizo-me
Ser da noite
de olhar tranqüilo...

Amanhece
e
recomeço;


Proletaríssimo!

(Jessiely)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Desejo Inútil




Fiz-me céu
porque sempre
- sutilmente -
Vejo-me em tua praia

quando ao fim de tarde
senta-te na areia
e miras o mar

Fiz-me pássaro
porque sobrevôo teus pensamentos
-intermináveis
contratempos-
nos quais anseio ajudar
mas posso, tão somente
olhar.

Fiz-me caminho
Fiz-me teus passos
Teu desatino
e teu cansaço.

Mas nunca
Desejo inútil
entre teus braços.



(Jessiely Soares )

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Desacelerado


Teu rosto é um vale
Onde escondes teu sorriso
Que me inundou a alma.
Ah, Alma!

Essa que se perde da matéria
Enquanto durmo
E volta ao teu quarto
Chega a um sussurro...
Deita ao teu lado

Teus olhos
Remetem-me a águas antigas,
Velhas trovas de amor,
Valiosas profecias:
-Tua retina contém segredos
Que a ninguém revelarias-

Tuas mãos, não,
Essas não defino:
Tem uma certeza das minhas curvas
Conhece meus desatinos.
Louca viagem entre astros
Matéria, sonho, delírio.

Paixão é outra coisa
Amor é isso:
-Perder a noite
Pensando alto
Quando estar em teus braços
Não é possível-.

E o tempo
Inconstante,
falso
Mantém esse
Ritmo
.
.
.
Desacelerado.


(Jessiely)

domingo, 14 de outubro de 2007

Delirante




As ruas se cruzam
Com meus passos distintos
Certificando-me que sigo
Em rumo diferente
Ao da tua direção.
Perco-me nessa sensação.

Os faróis me descrevem
Assustam-me
Os pensamentos
Giram, mudam
E me pego descrevendo a angústia
Sentando ao meio-fio
Solidão...

-Os meus sentidos
Não perdem o desejo, o amor.
inconscientemente
Aplacam o meu grito
Minha dor-

Contudo.
Ergo-me.
Por que entre os néons que me cegam
Estão meus pés, incertos,
A cruzar esta cidade
-Apenas eles me restam-

A minha alma,
Há muito fugiu deste corpo
inanimado
Está longe, louca, só,
Em seu sonho desvairado,

Talvez esteja perdida pelas ruas;
Por entre poetas calados,
Crianças sem rumo,
Homens sem coração.

Mas, sonha e sorri,
( delirante )
-Que está de volta aos teus braços-.

(E quem sou eu agora para afirmar que não?)



- Jessiely Soares -

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Seu maior veneno







Ecôo por essa sala
enfeitada
Por quadros azuis
-Cujo artista
Durante a vida
Não conheceu a fama-.

Estou embriagada
De solidão
-à meia luz-.

Sobre a alcatifa
converso
Com as fotos antigas
De algum parente morto.

E algum mistério absorto
Pensa me atingir
(me escondo)

O medo não irá persuadir.
A solidão da alma
Que me rouba a paz
Deixa-me vulnerável.

- Mal que me corrói a vida
Maldito câncer
Irremediável-

Ressinto
Este sabor amargo
Deste vinho tinto
Com o qual sonhei um dia

E esse sentimento vil
- Seu maior veneno -
Inefável grito de melancolia.

Esqueço a face
Madrugada afora
Tua presença
Não irá chegar.

Brindemos,
Eis que estou só
Minha imagem mórbida
A me dilacerar

À Meia Luz...

Solidão.

[ embriagar]

(Jessiely)

Canteiro de Violetas





Já não alimento
Os tolos vícios de menina.

Nem tenho a centralidade
Do raciocínio concreto
Do que serei:
-Futuro.

O caminho que percorri
Por entre neblina
Era a minha vida;
Em dias de Sol.

E em dias calmos
Senti-me triste.
Eu tentei sorrir,
Juro!

Mas, estava tão escuro.
-Esqueci-.

Absurdo
Passar no canteiro
Entre as violetas
E não chorar.

Inconsistente
acreditar
-amanhã será melhor-.
Se eu nem sei mais se
A manhã acordará.

Impossível
Acreditar possível
Acho que perdi
A dádiva de sonhar.

Melhor deitar
Não Racionalizar,
Rezar um terço,
Fechar o corpo.


[Adormeço]


(Jessiely)

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Espelhos





O meu amor
Não grita alto pela rua

Nem aparece na madrugada
A atirar pedrinhas na janela.

Meu amor sobrevive
À distância.

Mas se revela
- Espelha-se -
Através da Lua.

Meu amor está longe.
Minha alma
Nua.


(Jessiely)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Marcas


Não.

Não tenho mais os desejos
inconseqüentes
Dos meus quinze anos.

Nem a certeza,
Quase dormente,
De que tenho certeza
Sobre alguma coisa.

Não,
Não tenho.

Não.

Não posso
Dar-te agora
Nada mais
Do que não tenho.

- o meu mundo
É overdose,
confusão
De sentimentos -

Agora,
dou-te
O que antigamente queria
E não pude.

Porém sem a rebeldia,
Sem a beleza
(há muito perdida),
E sem os planos
inexplicavelmente
Maravilhosos,
Tão miraculosamente
Planejados um dia.

Dou-te colo,
Desses feitos
Pra dormir
E sonhar.

Dou-te
A confiança
De que estarei aqui
Quando o dia acabar

Dou-te a tranquilidade
De quem
Não quer a dança
Por temer o abismo.

Dou-te a paz
Da maré baixa em
Mar antigo.

Dou-te
aliás
Dou-me.

Tenho
As mãos marcadas
Pela idade
E pedaços
De sorrisos
Que perdi nas ruas.

Mas, ainda
Tenho no peito
A calma, a serenidade.
E a alma
intacta
De uma deusa nua.

Toma-me,
Sou tua.



(Jessiely)

Marcas

Não.

Não tenho mais os desejos
inconseqüentes
Dos meus quinze anos.

Nem a certeza,
Quase dormente,
De que tenho certeza
Sobre alguma coisa.

Não,
Não tenho.

Não.

Não posso
Dar-te agora
Nada mais
Do que não tenho.

- o meu mundo
É overdose,
confusão
De sentimentos -

Agora,
dou-te
O que antigamente queria
E não pude.

Porém sem a rebeldia,
Sem a beleza
(há muito perdida),
E sem os planos
inexplicavelmente
Maravilhosos,
Tão miraculosamente
Planejados um dia.

Dou-te colo,
Desses feitos
Pra dormir
E sonhar.

Dou-te
A confiança
De que estarei aqui
Quando o dia acabar

Dou-te a paz
De quem
Não quer a dança
Por temer o abismo.

Dou-te a paz
Da maré baixa em
Mar antigo.

Dou-te
aliás
Dou-me.

Tenho
As mãos marcadas
Pela idade
E pedaços
De sorrisos
Que perdi nas ruas.

Mas, ainda
Tenho no peito
A calma, a serenidade.
E a alma
intacta
De uma deusa nua.

Toma-me,
Sou tua.



(Jessiely)

domingo, 7 de outubro de 2007

Sentimento




Liberta do que me sufocava,
Desafio os meus segredos,
Entregue aos desvios,
Desatino-me escrevendo.

As minhas impressões
Não são pobres.
São apenas
As que me conheço.

Desarmada de vis pressões,
Transmito o que sinto
E transcrevo-me com calma.

- pobre daquele
que não derrama seu coração
sobre o papel branco
e não escreve com a alma -

Não há justificativa
Para um pensamento.

Nem é preciso suar
Para escrever o que penso.

Só preciso de um Luar
- e de um sentimento -
(Jessiely)

Incontida




Pela primeira vez
Sinto-te,
Universalmente,
longe de mim.

E me desespero.

Agora,
estou
incontida,
entre lua
e vida

- me acho
e me perco -

Entre o chão
e as vigas,
que sustentam
essa mórbida vida .

Entre o concreto
em nossa história
e esse vento
que me enleia,
me desabriga.

Desatinos surgem
e me deixam
incapaz de caminhar.

Meu vinho falha:
- Na hora em que preciso
ele não consegue
me embriagar -.

E sinto-me só.
Só demais,
demais;
só.
( Jessiely )

sábado, 6 de outubro de 2007

Faço-me Tua





Foi-se embora a madrugada
e eu não soube de ti,
Meio dia, presa à sala
admito : me perdi.

- A noite me fez menina -

Entre faróis que passam longe,
Entre o néon que me ilumina,
Entre os sertões que me afligem
A secar minha retina.

- Procuro-te na minha cama,
mas, nunca estiveste aqui -

Madrugada foi no vento,
sol a pino em teu lugar;
Agora sou só o lamento:
-O meu amor, onde estará?-

E assim sendo, os dias vão-se voando,
em desespero tento contê-los
Mas, são areias finas deslizando
no vão entre os meus dedos.

Encontro-me só a afugentar meus fantasmas
resignada a converter-me em saudade,
sigo os rastros da madrugada que retorna
e me embriago de insanidade.

-Então silenciosamente
Deito-me nua no meio da sala
e faço-me tua
por nossa vontade-.
( Jessiely )

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Teu Olhar Marginal


Luar
Arrebatado no Céu,
Ofuscando o brilho
Do teu sorriso nas estrelas.

Eu,
Perdida em incontáveis astros
Que brilharam em teus olhos
No meio da madrugada,

Faço-me completa
Ou despedaçada
Em milhões de sentimentos.

Ao som de um saxofone
Que toca Ravel
Dependurado na sacada
Do meu pensamento.

E me deixo louca,
Qual rosa despetalada
Num desabrochar
- intocada e nua -
Ao sabor do vento

E por teus olhos
Tão detalhistas,
Numa graça louca
Sinto-me observada.
Mas, no dito momento...

Desponta o Sol
Foge a graça da noite,
Meu sonho
Foi tão real!

- acordaram comigo
a luz que banhou a noite,
o som que ouvi tocar,
e teu olhar Marginal! –

(Jessiely)

Luar Bandido




Sonho acordada
Que seguro forte as suas mãos.

Mas, você está longe,
Eu bem sei.

Porém,
Esse vento tão suave,
Esse Luar tão antigo,
Teimam em trazer-me você.

- será que se sente assim também? -

Pelas ruas em que caminhei
Fui me deixando pouco a pouco.
E em seus braços, onde adormeci,
Imprimi as formas do meu corpo.

- será que ainda lembra do quanto fui feliz? -

Agora, todas as noites.
Sento-me com a saudade
E repito que te amo:
Com a face iluminada
Pelo néon dessa cidade.

- faz-me falta o seu verso,
para embriagar-me de insanidade -

Pensativa, solitária,
Olhando um Luar vagabundo
Que cisma em me enlouquecer,
(deixo vinho esquecido, imerso em melancolia)
Fico sonhando: "Com que sonhará você?".

E dessa imersão em sentimento
Suspiro sorrindo,
Imaginando conseguir lhe falar:

- Amanhecerei ao seu lado querido,
Porque aqui tão longe,
Já nem sei mais sobreviver...
Não sou sequer feliz,
E esse Luar bandido
Não me deixa adormecer-.
( Jessiely )

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Síntese


Havia teu cheiro.
- os lençóis,
a janela -
O Sol nascendo.



Os nossos corpos:
- enorme síntese
de tamanha paixão que nos uniu -


O Céu,
no alvorecer sobre o Recife.


A madrugada.
E nos amamos.
( Jessiely )

Teu Fogo




Pegue-me.

Mas pega leve,
Que quero voar.

Não me solta,
Mas deixa-me solta
Que assim planando
Irei te amar.
Sinto-me como grão de amor
-Que o vento carrega
em tua direção-

Teu fogo é que me dilacera
E perdida em teus braços
Sou transformação!

Não me larga,
Não me deixa à toa,
Mas me deixa ser
Como eu sempre fui:

Andorinha que se refaz no vento
Nesse teu sentimento
Deixa-me leve
- mas me possui -
( Jessiely )