sexta-feira, 16 de março de 2012

Ancestrais





Mas eu era como o vento
e como o vento
eu passei.

As marcas ficaram pequenas
e todos os símbolos, antes esculpidos na lava,
agora estavam sólidos.

Tudo já estava longe.

Porque na ordem das coisas
tudo se consome.
Tudo foge.
Até os ares desses tempos amenos se convertem

Só no dia em que as areias amanheceram
com um sereno que nada reconhecia,
e começaram a reconstruir a poeira dos sonhos

espalhando-se...

o que já não existia mais
Acabava por tocar meu rosto.

Desde então você está em mim
e isso parece querer durar a vida inteira."



(Jessiely Soares)


Imagem daqui: Beco dos Poetas

Requiém para uma tarde



Quando é tarde,
e quando todas as copas
de árvores
são grandes sombrinhas de praia,
eu gosto de observar a calma das nuvens.

Encher de paz
as eternas horas
de aflições vorazes.

Deixar a vida ser
como aquela nuvem:
gorducha,
imensa
e com formatos amoráveis.

(Jessiely Soares)

sábado, 7 de janeiro de 2012

Gris




Tenho gosto de cinzas.
O carnaval nem chegou
e já me parece quarta feira.










(Jessiely Soares)

domingo, 1 de janeiro de 2012

Feliz ano todo!



Chegou um ano novinho.



Tenho um milhão de bons desejos para cada um de vocês e espero sinceramente que eles se realizem.

No entanto, não vou repetir aqui que tudo está zerado, que está tudo recomeçando, que isso e aquilo... porque não é assim. Esse ano é continuação do ano que passou, nossa vida é cíclica e precisamos conviver com nossas escolhas.

Claro, tudo é mutável e a qualquer momento podemos modificar tudo, chutar o pau da barraca e decidirmos ser felizes.

Ser feliz é decisão, né?

Esse ano não foi meu melhor ano. Tive algumas alegrias, algumas perdas, algumas tristezas... Mas no balanço geral, eu podia ter sido mais feliz.

Mas, sabe, eu aprendi uma coisa e preciso deixar ela aqui, pra cada um de vocês:

Nunca, entendam, NUNCA, deixem de estar ao lado de quem amam. Larguem tudo por um abraço. Tudo. Isso inclui largar um pouco o trabalho, largar uma aula da universidade, largar o carro na rua. Nunca abandonem aquela pessoa que não veem há muito tempo por causa das 8 horas diárias exigidas pelo patrão. Compreendam: Certas coisas valem o risco. As pessoas que estimamos estão no topo dessas coisas.

Não importa se elas não nos amam, se depois de tudo elas não vão nos dar um abraço ou um sorriso. O que importa é que nós amamos, abraçamos e sorrimos em presença delas. Não façam isso por obrigação, façam por carinho.

E não temam dizer "eu amo você" "eu senti sua falta" "eu amo o seu sorriso", essas palavras podem parecer doidas quando chegam, mas elas deixam um jardim florindo dentro de qualquer um de nós.

Temer é perder, antes mesmo de perder.

Entre tantas outras coisas, eu só queria dizer isso: Não percam a chance do abraço. Não percam.

Tenho vontade de repetir e repetir e repetir, mas acredito que vocês já entenderam.
Quando amamos e demonstramos isso, respeitamos o outro e acima de tudo, respeitamos o nosso sentimento.

Então amem, encontrem, abracem e respeitem. Acho que se respeitar é o primeiro passo pra felicidade.

Então, o que mais desejo é respeito por si mesmo e pelo outro. Respeito por si mesmo para compreender seus próprios limites e respeito pelos outros para entender ainda mais os seus próprios limites.

O seu limite é o começo da liberdade do outro.

Que nesse novo ano, incidam em sua vida o respeito, a coragem, a paz e a saúde. Com esse kit, acredito que as outras alegrias acham-se pelo caminho, procurando-se com cuidado.

Assim sendo, acho melhor desejar-lhes também atenção para não deixar passar uma das esferas do dragão e nem a parada do ônibus. Porque é importante não pular a parada... sim, a parada! Vocês não sabem o que é voltar do Galo da Madrugada, na chuva, e perder a parada... mas isso eu conto em outra oportunidade.

Sem mais para o momento, agradeço cada carinho, cada comentário, cada leitura silenciosa, cada leitura barulhenta, cada leitura que virou cópia e foi lida em sarau, cada leitura que virou ctrl c + ctrl v (com os créditos! \o/) e foi parar em blog, flog e afins... enfim, agradeço a cada um de vocês que pisou nesse solo do Entre Versos e Riscos.

Espero que em 2012 possamos nos encontrar nessa brincadeira de palavras.



Beijos paraibanos,

Jessiely Soares.

Caligrafia



A vida decide ir ficando,
parte por parte,
em cada vão da estrada,
cada ponte mal sinalizada,
na viagem de regresso.

E como se escreve saudades
na eterna revoada para casa
senão em mil frases rabiscadas
nas pautas dos fios elétricos?



(Jessiely Soares)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Vaga Lux