
Com tantas cores em giz
ela desenha um mundo
entreaberto
uns poucos pontos de luz
a serem pescados
uns rápidos vagalumes,
um cavalinho que trota...
não percebeu no entanto
que por uma onda de pensamentos
escapariam
todos os desenhos
o céu
tão bem pintado
escapou pelo rasgo provocado
no rasante entardecer da gaivota.
(Jessiely Soares)
Nossos caminhos
deitados e esquecidos na sendas
Não fazem mais tanto peso na memória.
Não correm dos ventos,
Não adormecem
de forma aleatória
Não há mais espaços
para acalentar as nossas feridas.
Tudo anda velho e corroído
eu ando querendo ser devorada por traças,
perfurada por metais envelhecidos.
Ou, quem sabe, dopada por um olhar envenenado...
E se eu não te falo dessas vontades subliminares,
não repare,
Eu não gosto quando você me devota sua pena.
Prefiro ser a musa para o teu verso intacto.
(Jessiely Soares)
Pelo menos, 35 mães choram seus 35 filhos.
35 mães choram seus 35 filhos.
35 mães choram.
35 mães choram sangue, pelas chamas que mataram seus 35 filhos.
México,
por ti
e por teus infantes mortos
espero que hoje
não haja
nenhum
poema no mundo
(Jessiely Soares)
Adentro a sala
de espelhos;
parede atrás de parede
e apenas o teu reflexo.
Não há mais nada,
sequer a geada,
sequer o inverno,
Só uma longa sombra
que desce as paredes.
e a amarga certeza
De que, espelho atrás de espelho,
tu segues nos mesmos trilhos da minha vida...
Mas no teu caminho inverso.
(Jessiely Soares)
Imagem de: Ana Cláudia
um bendito e alegre
sumo escorre
Vale, deserto
mediterrâneo-cipreste.
A tudo, tua palavra colore
mesmo quando eu leio
em onirico estado
as coisas que nunca dissestes.
(Jessiely Soares)
como essa
que de um escuro tão súbito
dá-me a impressão de que o dia
não será moldado
e que as estrelas foram
arrancadas de seu cordão flutuante
caindo no mediterrâneo.
São assim, em desenhos noturnos,
com buzinas salpicadas
que eu penso
que tudo ainda anda
sendo misteriosamente construído
em cadeias com vidros fumês
e grandes precipícios.
Tenho muito medo do futuro
em noites longíguas como essa
que persiste.
Noites assim duram uma manhã
uma tarde
e uma noite inteiras
Em que a chuva engloba tudo que inexiste.
(Jessiely Soares)
Os versos caem frios
e eu acendo a lareira
para aquecê-los.
Prefiro que derretam
e molhem meu assoalho
a se crisparem em meu chão
a se tingirem de espelho.
Não escrevo poemas
sólidos.
Eu esquento o sentimento que nasce
ate livrá-lo do gelo.
(Jessiely Soares)

Pequenos espaços e segmentos se agrupavam na manhã.
Seu sorriso, todo incompatível com as sombrinhas de Boa Viagem, ofertava algo entre água doce e paz de pedra.
Era de um desejar tão ameno que pintou de mansidão a onda, aquela que carregou minhas sandálias, quando a maré subiu a sua ordem.
Eu fui pega desprevenida. Veja só, contra o amor não há fator de proteção solar!
Você chegou como sombra em pleno caminhar Sol.
Não sei como fez isso, mas de lá pra cá, plantou-se mais verde na minha íris.
O seu cuidado fez brotar plantação. Os girassóis nem adormecem de tanta ansiedade.
Algo no seu corpo me diz que a safra será boa esse ano.
(Jessiely Soares)
Você que desenha cada passo
no labirinto...
e que guarda com cuidado
meus panos de medo sob seu chapéu
faça-me ouvir por todos os meus dias
o seu sorriso místico.
Nada mudou
no além
da nossa janela:
Seu mundo ainda desafia distâncias
para pendurar
prateados fios de sono
na manhã da minha aquarela.
Por zelo.
Pois sabe que eu quase não durmo.
Trago comigo os destroços de quando
dei-me a idolatrar o vento, a água,
o céu e o risco.
Esse fato, também o sabe:
Você, Mohandas. Pacifista.
Eu, Guevara, de bom grado,
seria de alguma força-combate
em alguma revolta ativista
Seus dedos desenham noites.
E tantas vezes,
fizeram-se em arabesco,
para acalmar
todas as minhas cicatrizes.
Seu amanhecer tem sido minha bandeira
atrás da linha do medo,
onde me sinto mais segura.
Tenho receio da sua partida.
Receio inconfessável.
Eu, finjo que não vejo;
Mas sei da tua silenciosa batalha
num labirinto sem linha
Num lugar asfáltico,
sem deuses, minotauro,
Olimpo ou ninfas.
Atravessando o deserto sozinho,
Apenas
Para unir
- sem mais infortúnio e sem as garras do destino -
essa vida, ateniense, em pacífica calmaria,
sua,
por ocasião da eternidade,
a esta, espaçosa e barulhenta,
de revoltas televisivas e de guerra, em intensa atividade
espartana, minha.
(Jessiely Soares)
Ó, noite, não tardes, vinga!
E recai sobre minha cama,
traiçoeira
Deixa em meus lençóis
Leituras marginais
E espalha meus desejos
Como areia
Impassível,
Luz na qual me perco,
destrói toda razão
a qual me presto
Arranca
Minha língua do deserto
Faz-me recriar
A incontestável arte
Desenha
Tatuagens de Sol
Com átomos
E faz companhia
A minha ilegalidade.
Como os sonhos
indevidos
Que me bastam
Como manuscritos
Do Mar Morto
E sua fragilidade.
Não tardes
Ó, Noite,
Refaz-me.
(Jessiely Soares)
Ela se tinge
bela
de tecidos
e esperanças
em castellano.
Um século
de pequenas
parcelas
de sangue em pires,
de planos cartesianos.
Eu apenas miro-a do espelho
penso que sou o reflexo dela,
que
maquiada,
vestida de pó,
cocar
e
linha
com canela
fuma os pequenos pecados
enquanto eu, suando algemas,
sou apenas
selva,
holograma
e insígnias
O corpo é meu.
Noite fingida,
até isso fantasiaram
de medo,
a ciência anda tão provocativa...
Fatos e desafetos
andando pelas calçadas
ela,
de manhã transfigurada
acorda
em passeata
furiosa
e etílica
O seu cheiro mora em meu corpo
sou feita da sua erva.
O corpo é meu,
visita a Igreja,
museus e ruínas...
A alma é dela
me olha do espelho
e se tranca no quarto
de cima.
Ela sou eu.
Eu sou ocaso,
ela minha alma,
estranha aparição,
escondida pela minha sina.
(Jessiely Soares)

Quando teu Garcia Márquez sem capa
caiu da prateleira
e teu corpo
serpenteou para pega-lo
Não poderias prever
que a divisão dos teus medos
constava de monossílabos
e pequenos estilhaços.
Se tu tivesses me previsto
eu não seria tua pintura
impressionista.
Nem Maria,
- por Eça de Queirós,
tão perfeitamente construída -
Cruzando, com rubro guarda sol,
as ruinas do teu fado.
Se teu Cem anos de solidão nao caísse no meu colo
assim,
como dado viciado do destino,
e a mancha não nos tivesse violentado
eu não te diria que o escuro tem braços,
e, somente nós não sabíamos.
Se tu me soubesses antes disso
eu nem saberia do teu abraço
Nem da marca indelével,
de um sabor que não cruza a calçada
Feita de manhãs e cafezais
pintado num passado amanhã despedaçado:
No dia em que teu Garcia Márquez sem capa
caiu da prateleira
em meu corpo
que, com fúria de pó e fera,
aninhou-se para entrega-lo.
(Jessiely Soares)
Imagem de: ..:Geisa:..
Hemotoxia (Mjúlia Pontes e Jessiely Soares)
Postado por Jessiely Soares Marcadores: Parceria: Mjúlia Pontes e Jessiely SoaresEmbora caiba, não me é direito,
Nem procurar nos blues de Djavan
O que não desperdiçarei tal Caetano
num gesto de quem encontra a fuga,
no rastro de amor e abandona a ilha
por seu peito
Não, eu não vou tentar expressar.
O que seria maior do que ficar na sua pele
Feito tatuagem?
Um dia pedirei perdão a Chico.
E tingida de ternura ainda serei poema
com nuance
E tingida de poemas ainda serei nuance
Com flor de tinta.
Eu sinto você correndo em minhas veias,
Músculos, retina,
epiderme em ardor desatinado,
E queima, pulsa, muda canta a canção
Que inventou só pra me encantar,
No nosso pé que brotou Maria
Nasceu arco-íris em chamas lilás,
numa estrada pura,
na madrugada que ainda não morreu.
Entendo, você ainda não sabia,
Que seria amor o que já doeu,
na manhã, das nossas vidas...
A minha íris precisa da luz
que emana de tua voz.
Perceba, querido,
pelo gesto que ainda sobra das manhãs e do breu,
todo o passado se envenena:
A verdadeira Maria, sou eu.
Tenho um tipo de frequência cardíaca
um penúltimo ato,
uma paisagem,
como uma garoa fina e alvoroçada
(Jessiely Soares)
Varanda
de porta
entreaberta
o vento que escorre de longe,
quente,
me chega às avessas
traduzindo murmúrio de conchas
das horas
surdas e longas
com as memórias,
feridas vivas...
e é quando nossa vida conversa.
Eu lhe mando um bilhete
eólico
com mil beijos
etéreos
para que se acaso pensar
que não mais lhe penso em versos
saiba que mesmo de longe
a nossa varanda ainda esconde
os poemas que eu não entrego.
e esse vento que viaja de volta
e que lhe chega às avessas
carrega cantigas de noites
das janelas de ruas desertas
é a cidade do interior
que lhe manda um beijo no rosto
e diz que sente desgosto
na noite em que você não regressa
assina com cheiro de lua
para que eu me finja de espelho
bem aqui, onde eu nao o vejo,
e onde nem mais me lembro
como se escreve poesia
seu sorriso relicário
me volta em ondas de vento
e se escreve como poema
sem tormento, em minha folha vazia
(Jessiely Soares)
Senhor,
a tarde cai
sob a palidez
da névoa
das coisas que construístes.
Cortei
os pulsos
e os desvarios
que plantei,
sombria,
na aridez da terra
triste.
A culpa não é minha
tu me fizestes de carne,
vento e sangue, neblina.
e tudo isso me dói.
Dores muito maiores
que esse vermelho que berra.
Eu não pedi coração
Menos ainda, para ser eterna.
Se me querias
Vulto de dor para posteridade
Poderias ter me feito pedra.
(Jessiely Soares)

Sem qualquer expectativa
eu me deixo sob a chuva de verão
que assombra a tarde amarela.
Sem qualquer expectativa
eu deixo que tudo atravesse
meu caminho
desconfigurado
ônibus,
pedestres,
gatos.
E o desvario do tempo na janela.
Uma vitrine me sorri
um sorriso de etiquetas
com marcas sobrepostas
diversas fazendas
florais,
sedas.
Assim sendo,
repenso os dias azuis,
diferentes dessa tarde
em que eu pousava minha vida
sobre as cercas de arame farpado
da antiga fazenda
com enormes cafezais
e pequenos cavalos
Tudo era essencialmente
verde e branco.
E agora, sem qualquer expectativa
eu fico de espectadora dos passageiros
da praça.
Ela não passa,
apenas eles,
e teu cabelo encaracolado me olha
e me assanha
e perceba: Tu não estás lá.
Um grito mudo me engasga
E por ser um grito mudo
apenas uma criança percebe e não diz nada.
A tarde se tingiu, de teimosa e cinza.
Com alguns tons dispersos de músicas etílicas.
Os bares começam a encher.
Sem qualquer expectativa
eu ainda sopro um beijo
para o teu rosto
que crispado de sonhos
passeia num ônibus lotado
depois do trabalho
Sonhos também cabem no proletariado.
O vento assobia
as nuvens se cerram
e os postes agonizam o calor da lâmpadas
Eu, enfim, aceito a impossibilidade.
Sigo a vereda que me cabe
aquela na ponta da calçada.
Teu nome amassado num pedaço de guardanapo.
Constelações sobre a cidade desenham um vácuo.
Teu gosto anda gravado nelas.
Selvas negras de asfalto.
O mundo inteiro faz barulho.
Um ruído insone de eletrodomésticos
e pais e mães recém chegados.
Anoitece em toda a vastidão do meu desejo.
E eu não te posso ver
porque tuas pontes guardam apenas o Capibaribe...
Alguém me oferece um cigarro.
A noite anda preta e conversa comigo.
Fala da solidão dos teus rios. Eu não sorrio.
E sem qualquer expectativa eu só me deixo sob a chuva.
Junto aos negros gatos.
Algumas poças de lama e toda essa vastidão desumana
que se propôs a ficar exatamente no meio de nós.
Por te querer perto,
e por seres impossível e carinhoso
Algo como pintura impressionista em cenário de inverno.
Eu te ando, eu te quero, e ouço toda esse multidão
e os candeeiros recitarem teu nome.
Eu, ilha, cercada de teu mundo por todos os lados, me calo.
(Jessiely Soares)
em teu céu
me confunde
é como um verso
na colina
é como se tu fosses a rima
que eu tanto amei
e nunca pude.
(Jessiely Soares)

.
Quero
com um desses quereres indizíveis
como a uma presença
que indefinidamente se espera.
Tal qual esse teu cheiro,
que nem sei de onde vem
e pousa aqui, com asas que queimam
insone, comigo, na minha janela.
(Jessiely Soares)
Imagem de: Julieta Domingos

.
terça-feira, nove da noite
o sereno canta leve
uma canção de ninar para os pardais.
Eu sento e converso com o vento
prodigioso
Ele mal me ouve, eu não me conto,
além do mais, entre nós, nem há novidades.
Apenas afago a solidão com uma das mãos.
Com a outra aceno
para minha vida inglória
Minha grave e séria companheira
das noturnas e angustiáveis horas .
(Jessiely Soares)
Leve,
tão leve,
que se teu sorriso
me soprar
é possível
que me leve...
(Jessiely Soares)
Imagem de: Marlon Francisco
Tudo que me importa.
sua mão
sobre a
minha,
pequenina.
Que
no auge
da tua
idade
infantista
repousa
tudo que
conheço
e antes,
por decreto,
inexistia.
Aquilo
que me sorriu,
depois
que você
nasceu
e que eu batizei por vida.
(Jessiely Soares)
Homenagem a todas as horas que se seguiram ao dia 11/11/2004.
E a todos os teus sorrisos. E todas as tuas pequenas e grandes peripécias...
Mas, ainda mais, a todas as noites mal-dormidas ouvindo tua respiração.
Ficar em claro, noites e noites, nunca fora tão perfeito.
Tenho a vida inteira pra te merecer, minha filha.
Te amo, Princess.
Mamãe.
O caminho
descalça
fez-me
mais nua
Nem tâmaras,
nem cântaro
para o oásis
da tua boca
que fora das
minhas areias,
nasce
e se insinua.
Eu trouxe somente o cheiro
de deserto
de desejo
saudade,
um Saara de expectativas
que desenho
na poeira dos vitrais...
O que fica, além,
serpentiforme,
madruga longe da nossa tenda,
onde já nem estamos mais.
(Jessiely Soares)

Se me encontro
ao teu lado
navego
sem luz própria.
Conto não ser
perigo
para tua vida
e permaneço em silêncio.
Não sei desvendar tuas lendas
ou trevas,
sigo tuas ondulações,
presto-me a ser jangada
enquanto te vejo veleiro.
Contato que me deixes ser brisa
que te sopra em tuas velas...
Mesmo que tu partas pelos mares alheios.
(Jessiely Soares)
disseres
frevo
eu largo
os arreios
e te jogo
as tranças
de rapunzel
etérea
fantasiada
de
Branca
pura
Neve
às avessas.
(Jessiely Soares)
O que me deixa aflita
é uma madrugada
e uma vontade
de verter tequilla
a grandes goles.
De pichar paredes
com teu nome.
De ser impossível
e dilacerar teu sono.
Cortar o cabelo
usar minissaia
e
cantar em uníssono
tudo que não se pode
no meio da tua rua
invadir tua janela
e me mostrar arisca.
O que me deixa aflita
é ter tantas vontades
e uma vida
à risca.
(Jessiely Soares)
No meu interior
Tão controvertido
E sonolento
Tão desprovido de intensidade
E alegria
Entre os pântanos e tristezas
Há um único lugar que o sol
Sangra luz
E tu ocupas o lugar mais bonito.
Fotografia: Onde o Sol sangra luz
Autor(a) Amélia Jessiely Soares Bento
Para visitar a fotografia, clique aqui
Em algumas manhãs
vendavais nascem
e me tornam os olhos
de verdes a turvos.
Pedras semi-preciosas
se aglomeram na minha calçada...
Vultos.
E tendo a estabelecer
um caminhar sem destino
algo como navio sobre temporal.
Enquanto você,
Fascínio que acorda do outro lado do tempo, sente
a mesma coisa. Balbucia uma idéia qualquer
ou um verso com qualquer pronúncia
E é como se esse pano negro que eu enrolo
aos ombros
fosse um pouco dos seus olhos
postos sobre minha vida
algo enevoado,
como uma nuvem que não sabe mais do rumo
para chegada,
nem lembra mais da partida.
Se acaso o insano, febrilmente, me parecer claro
eu canto alto,
Killing the Blues,
e espero que o novo aconteça em algo...
Sempre acontece,
nem que sejam uma sucessão de reprises
pintadas com outras tintas.
Os fatos não são diferentes.
Tudo sob esse céu, padece
de filosofias
e carícias.
Eu escrevo porque me faltam asas.
Eu penso na sua voz.
Eu conto esse segredo, e o deixo escondido,
como precisam ser os bons segredos
Sei que, se meu telefone não toca,
é porque alguma coisa
quebrou
no meio da nossa telepatia.
Calo e escrevo
Tudo isto em homenagem
ao seu corpo que se esconde
onde eu não consigo tê-lo...
e nas entrelinhas dessa poesia.
(Jessiely Soares)
Em gestos
desatentos
Como em passos
Lentos de bolero
Num olhar cigano ou vagabundo
O sentimento
Esperava calado
Ao dobrar uma rua
Como num lance sereno
De ir e não ir,
Ficar e partir.
Do jeito que se espera a vida inteira.
( Jessiely Soares )
*
Os dias que me renascem
aportam com o Sol
na curva da minha estrada
Apostam com a vida
- artista em ser efêmera-
que para ser eterno
basta o nada.
Eu, que assisto a tudo,
sinto-me responsável
pela criação diária da Lua...
Pela ausência de proximidades
e pelo cântico do silêncio.
Eu afasto,
enquanto o céu une...
esse é o meu absurdo
Há dias, em que
eu me sinto poeta.
A poeta mais noturna do mundo.
(Jessiely Soares)
Que se chame
sangue
que se chame
vida
que se
fores tu a
me chamar
eu vou
Nem que seja
mangue
nem que seja
rua
nem que seja
lama
e se não fores
tu
nem ar
nem dor.
(Jessiely Soares)
Ao longe ainda
dormem as velas
e a minha esquadra
vela
meu futuro ainda perdido
navegante
infinito
que ao longe fantasia.
O lavrador ainda preserva
a avidez da semente
e meu céu, se mente,
encanta as coisas
sobre a minha terra.
Tu te plantas nas minhas serras,
bravio, cerras
a nossa história
como tesouro
desbravado
por mãos de pirataria
O vento pesado
canta...
Meus cálidos olhos claros
velam meu veleiro
distante
por teus pequenos estilhaços
de prados
tingido de sal
em tela
enquanto
num rio plácido
pálido e azul
Meu sonho,
ao som de fado,
embala meu espelho partido
e dorme em suas velas.
*
(Jessiely Soares)
Se seus olhos,
ébano,
flutuassem no meu corpo...
Pintura abstrata.
Desenho meticuloso
como
rastros no deserto
incêndio no canavial,
floresta fechada.
Como o meu destino
pra pouso
Em meio a
essa ausência,
intempérie,
bússola desnorteada
no teu sorriso
branco
de cordilheira e nevasca.
(Jessiely Soares)
Se apressares o dia
meu amanhecer de Flamboyant
Eu me faço
mistério,
Jaci,
Iara,
Guaraci,
se quiseres,
também posso
te fazer Tupã.
Depende do teu gesto
oblíquo
do canto de floresta,
do mito,
do teu vasto sorriso
como
flores de Sol
Caramurú...
da criação de tudo
do raiar
com que tu pintares a manhã.
(Jessiely Soares)
.
Sendo sua voz algo segredoso
que mesmo junto as mentiras
jogadas em boa terra,
farão brotar bom tempo,
eu me recuso a entregar
o ouro ao bandido.
Deixo então,
engatilhado,
meu medo sobre a cristaleira
(embaixo do porta-retrato)
e as pequenas divindidades
espalhadas pela mesa de canto
onde se lê a lápide:
"Eis aqui meu tesouro perdido."
Teu silêncio,
com gosto de infidelidade,
ainda habita comigo.
*
(Jessiely Soares)
só o cheiro de relâmpago
ainda espalha seus raios.
A brisa assobia.
E é como se o vento ainda
quisesse me dizer algo...
Eu o espero.
~
~
~
mas a noite agoniza...
e o vento passa calado.
(Jessiely Soares)
Na praia
entardecida,
avermelhada,
morta e ferida
eu assisto
o espelho
da tua tarde.
das ondas, das areias,
das pedras com as quais converso
eu te reconheço,
adormecido,
num canto eterno
mesmo que sejas,
de uma sutil efemeridade...
Sempre que estou sozinha,
eu te desenho o mais perene,
dentre toda a eternidade.
(Jessiely Soares)
Com teu verso
sobre meu rosto
marque-me
como seu vício
inexato,
Enquanto Cash ressoa
(hurt)
inundando o ambiente
Entre...
me fira,
se insira
em meus espaços
De um corte a outro,
me faça
sua
E eu prometo,
nunca mais
me
despedaço.
(Jessiely Soares)

Para pintar essa madrugada
eu preciso das tintas
que deixei em tua cama
Exilada e extinta,
o que me sobra, faminta,
é um baú de memórias
e uma íris morta,
suja e carbonizada.
Para tingir esse céu negro
de alguma espessa camada
de sombras e lágrimas,
é necessário que chova
as matizes exatas...
Eu preciso de teus olhos,
senão, não haverá cor,
para eu recompor a alvorada.
(Jessiely Soares)
Foto: "Acordo a noite"
Autor da foto: Vieirinha
Eu te toquei bem de leve
e tu nem notaste
Eis que a lua jazia
tal qual pedra
e sorria
dos meus sonhos fugazes.
Eu te olhei,
noturna,
e tu nem notaste
Eis que a lua
caia
surda e vadia
sob os meus vagos olhares
Eu parti
era manhã
e tu despertavas
Meu joio e meu trigo,
meu sinal
e sentido
dos girassóis perdidos
em meus olhos seculares...
... te toquei bem de leve,
com mil corpos celestes
e tu nem notaste.
(Jessiely Soares)
Na caravana
que cruza o levante
da manhã que nunca termina
antigüidades de oceanos
engolem vidas perdidas
imersas no próprio destino
dos teus olhos desertificados.
Sob ação de desgaste profano,
de tantos mudos enganos
na caravana, da eterna partida
agonizam amores fantásticos.
(Jessiely Soares)

*
Tu, que não me ouves, deverias saber...
Que há agora, distante de ti,
uma ave, pousada.
E canta,
de acordo com o timbre
da minha voz no espelho.
Na tua noite,
sirenes correm a rua,
em busca do paradeiro
de alguém que agarrou a liberdade
por cima dos muros da prisão.
A lua nunca foi tão imensa
quanto para quem a aceitou
com o peito ferido e criminoso.
Madrugadas são palpáveis para quem se oculta nas sombras.
Algum cantador afina sussurros
em alguma das pontes
do rio que te corre nas veias
e alguém adormece na praça
do Arsenal.
Todos já saem pela noite
em busca de luzes amarelas
e vinhos celestiais
Carregam mentiras e passados,
como reflexos de fogos de artifício...
Ao meu redor,
silencioso entre vales,
meu vilarejo dorme.
Uma névoa cai, pesada.
Não há passantes por sob meu peitoril.
E, é preciso dizer, que não os necessito.
Na amarga calma da pequena vila,
a castanheira abriga o pássaro,
pousado sobre o meu parapeito.
E eu vivo a vida inteira, nesse pequeno e absurdo contentamento.
Quem sabe, ao amanhecer
sob o seguro acalmar de tua janela
de terceiro andar,
o som, quem sabe, seja mais,
que simples ecos de metrópole recém-adormecida
Quem sabe, inaudível, ouças...
como um contato benigno com a eterna liberdade,
e já calados, todos os sons que alarmaram a tua quietude,
Quem sabe ouças, sem saber disso,
entre tantas cidades cortadas,
o canto em que tu me habitas, dessa mesma ave.
*
(Jessiely Soares)
Fio
invisível
me pescou
aflita.
A linha
que me levou
naufragou
barco e pesca
rumo ao teu tesouro escondido.
Dia bendito em que me afastei
do mar na tua rede
tua cama,
oxigênio.
Não sinto falta do meu habitat
Tu me fizeste esquecer
que um dia
tive
sede.
(Jessiely Soares)
Eu derramei
dois pingos de tinta
na nudez do teu olhar.
Manchei tua pupila.
De agora em diante,
não me presto a ser estátua,
nem quero ser absolvida.
Não escreverei cartas no muros
e nem relembrarei,
teus poemas
se me pedires.
Espalharei versos cegos
e tintas negras
em tuas meias-verdades,
Cegarei as minhas dores
nas cores
da tua íris.
(Jessiely Soares)
*
Aquela fumaça
- clarão assolando
o meio da mata -
E a placa no meio do barro
que teima em fingir-se de estrada
"Ponte interditada"
Não faziam sentido.
"Acesso a um carro por vez
a ponte do Rio Paraíba.
Peso controlado.
Perigo."
Mas, como? Se meu corpo,
sem contar os adicionais,
pesava por todo o espaço.
Por gosto, guardei no meu peito
seus passos indecisos
e as lágrimas da pequena
por sua ausência.
Enquanto a poeira cobria
aquele sorriso escondido
que nossos rostos fabricam
entre o olhar e a reticência
Eu, atravessando as queimadas
e as pontes desativadas
fui fiando o caminho
fazendo trilhas na noite
da eterna distância ingrata.
Enquanto a cana de açúcar
prevendo a morte da ponte
Queimava para iluminar a estrada.
(Jessiely Soares)
Sendo, eu,
abstrata
ponha-me
figurante
ao lado da tua sala
prometo
que não serei luminosa
meus últimos anéis
ficaram, insanos,
na constelação
há muito naufragada
Pudera!
Eu não sei mais me ver
no espelho dos teus dias
Tuas hierarquias
tolas, dizimadas
Me puseram sobre o nada
numa mobilidade
invertida.
e antes da luz que viria...
Encha-me de preceitos
espalhe beijos e apelos
e no meio da febre
coloque-me, sujeito,
na tua sala
como poesia.
(Jessiely Soares)

*
É escuro
na noite mais antiga
na canção em pleno vento.
É deserto
mesmo quando a chuva
molha
as estradas, as veredas
e as imagens que invento.
E nas coisas que recito
mesmo baixo, sussurrado
sempre há um negro grito
Esse brado escondido
Nessas ruas tão vazias.
Nas palavras que invento.
Nos pesadelos e nos becos,
da poesia como ofício.
(Jessiely Soares)
a excelsa sutileza
nos mesmos fins de tarde
é que agora
meu mar de Sal
escasso
deixou um desertos de espaços
que pela casa
brincam de piratas.
E a estátua
de nossos olhos
posta de costas
para o nada
- a salvo de todos os males
que navegam nesses mistérios
de casas com luzes
semi-apagadas -
Não mais observa a saudade
espalhada.
(Jessiely Soares)
o dia morre bonito
nas confidências de boteco.
Vinho, e tinto verso
Se tu me deres uma só razão
posso escrever um poema
ou,
virar atriz de alguma peça de quinta
que te fará
perdoar minha embriaguez
Mas, não se deixe levar pelo meu
sorriso.
É etílico e vicia.
Como aquela lenda
de que existe nesses
nossos cantos
alguma dose subliminar de sensatez.
Deixe o sereno morrer...
algum som de violão
vai meditando nossa noite
enquanto a rua
veste-se de alguns rumores
e dá-se por esquecida,
entregues aos contornos
de uma meia madrugada,
com um velho tinto na mesa
e uns retalhos
de poesia.
(Jessiely Soares)




religiosamente
recito teu nome
– meu confessor –
som a som
num brado
sacramentado
nas conjecturas
de um adivinho
faz muito tempo
– séculos talvez –
mas sejamos leves
e as profecias entoadas
serão breves
são o presságio
guardado num códice sagaz
teu grito se esconderá
na bainha em que guardo
o vaticínio e a oblação
não se pode ter tudo
não se pode.
(Rosa Cardoso)
Casa Vazia. Foto de: Fernando LyraSuporta
a torta vizinhança
os parentes inconstantes
os inúteis e sua crença
esses amigos de instantes
toda a sorte dessa raça avulsa
não será mais que uma foto
decorando tua estante
(Lanoia)

Aquela margarida
riscada à caneta
na sua blusa
o tempo e o mundo
apagaram.
Ficou, de tudo, apenas o trapo.
Como o jeito e o sorriso
de estampas de pano
e cheiro volátil.
Destino e vida
feitos de ampulheta intempestiva,
misto de areia, castelo e barco.
Nenhuma garrafa flutua.
Ficou, de tudo, somente o abraço
(Jessiely Soares)

Seus pedaços
se espalham
pela casa
como cristais de saudades
irremediavelmente pintados
pelas tuas mãos ausentes.
Como
se eu fosse
pedra.
Ou chuva, domingo,
relíquia, mormaço...
Deixei de ser coisa inteira.
De pouco me vale essa noite.
A pólvora a qual não ateei fogo,
incendiou-me...
E no momento em que achei
que todo o meu destino
estava num intempestivo
momento reacionário.
Explodi.
De mim, cinzas.
Na minha fragilidade de estilhaço.
(Jessiely Soares)

*
Em todas as palavras
que desenho alheia
em páginas eólicas
enquanto o sono
me pega no colo,
rogo,
para que os sonhos
seguintes
me levem, voláteis,
ao teu encontro.
Sob algum luar,
sem saudades ou destroços...
Entre todas as palavras
que desenho alheia
em páginas eólicas
enquanto o sono
me pega no colo,
eu, deitada tão longe...
re-ordeno as estrelas,
re-incendeio os cometas
e mudo as distâncias.
Re-desenho a nossa vida
sem muro nem vales,
sem estradas covardes:
Em um planeta só nosso.
(Jessiely Soares)
Do fundo dos teus olhos
acalentei dois mundos
contidos na palma da mão,
íris espelhou
passado, futuro...
Se tu voavas, cego, caias.
Cais do meu corpo
poça d'água,
desenho de fundo de mar
que encandeia
os presentes deixados no colo.
Doces, alvos, medrosos,
sutis como o florir da Oliveira:
Dois mundos
passado, futuro
alguns segredos que são nossos,
Nossos passos e destroços,
e teu medo que ainda quebra na areia.
(Jessiely Soares)

Essa imagem que a câmera aprisiona
- bela - não sou eu.
Não vês que esses olhos verdes
não podem, sequer,
caber nesse rosto?
Vulcões em erupção
deixam tudo em lava e cinza...
Mas esse mar,
esses pontos cardeais,
essa floresta viva,
imagens que a câmera aprisiona,
verde, como raio de inverno em Agosto,
Nem minha retina,
Nem minha ruína.
Toda essa sutil transparência
- como espelho e chuva fina,
não passa de meu esboço.
(Jessiely Soares)

Fotografia: Felipe Ferreira
*
Não sei se é algo em tua pele.
Desde o último vinho
restou algo balsâmico
na boca.
Um certo alívio.
E já que não posso
insinuar as ondas
nem tampouco
resvalar na atmosfera
Gostaria de mostrar,
quando me deito no chão,
o quanto Vênus exerce meu desejo
de ser deusa
- na tua estante
junto aos teus livros de literatura -
Ou sobre tua cama.
Mas o que interessa
é que em nossa última embriagada alucinação
restou algo balsâmico
na boca.
Um certo alívio.
Dizer que te amo
foi a melhor coisa que já fiz na vida.
(Jessiely Soares)

*
Decidiu então,
que sumir seria interessante...
- Por algo que o valha, sempre é -
Mas por aquelas tardes longínquas,
por aquele arrebol de cristal
ou por meus prismas,
- Já não tenho certeza -
Há tempos já não sou mais
aquele rio transparente,
compreende?
Depois da última gaivota virei caudalosa.
Gosto mais de ser solitária que navegável.
Verdades e companheirismos
me afetam profundamente.
(Jessiely Soares)

Mas que névoa
que faz mudar a noite quente
quando ela se converte
em lua morta...
Enquanto eu, atirada, numa súbita e remota
revoada de emoções intempestivas
deixei sob o verso,
o suor e a camisa
de quem agora já cruzou a minha porta.
Mas que lua
que se assenta em minhas serras!
Única, como a cúpula Sistina,
como revoltas, como rubras e finas crinas
dos cavalos que pisaram o meu vento
galoparam os sentimentos em seus cascos
e meus pecados escandalosos
e capitais.
Mas, que nada, que vazio,
que noite!
Quando a brisa embriagada de dissabores
vem trazer-me a janela teu retrato.
Que lanceiro, que tristeza, que diabo...
Enterra meus desejos
numa noite morna e clara.
Do cheiro e das lembranças do futuro que'inda não veio
do medo que eu tenho, desse escuro que receio
reapareces como prece
no meio da noite morta
Deixando a brisa rouca, roçando a minha boca
Me engravidando de saudades
com as tuas mãos eólicas.
(Jessiely Soares)

*
Se você descesse do seu altar
e aceitasse
o convite que faço
nesse ninho branco
que se acende em rua clara
quando o universo
se converte em meu espasmos.
Eu cantaria mil cantigas
adormecidas
para teu desígnios anteriores,
teus juramentos
Para ser mansa, pura, leve
em seu encalço
para ser verso estrelando
seu firmamento
Se você descesse do seu altar
Lua, floresta,
canyon de nossos riscos
Planetas, satélites
luares-de-maio,
conflitos.
eu, nua, em seu céu
como asteróide.
Você, vestido como astro,
com órbita e luz própria...
convertido em infinito.
(Jessiely Soares)

*
A hora em que mais doeu
foi quando você acenou
E tudo o mais fez-se neblina.
Turva,
Mil graus abaixo de zero.
E quando mil pensamentos
voltaram descarrilados
a mesma estação de metrô
De tantas
chegadas e partidas.
Eu trocaria a imortalidade
- se eu assim a tivesse -
por mil vezes de teu sono profundo
Por teus sonhos difusos
sem as despedidas de inverno
Sem esse medo da vida.
(Jessiely Soares)
Esse adeus estampado
em uma página branca
dentro dos sonhos seus,
Não precisa de tele-jornais.
Não precisa de sombras,
derivações,
sintomas,
catástrofes,
Museus...
Guerra ou paz.
Só precisa um olhar mudo,
uma mão que escolhe
tudo,
até restar apenas
uma foto em sépia
de réplicas,
de promessas,
de abismos,
dissoluções
dos meus antigos impossíveis...
E nada mais.
(Jessiely Soares)

A todos que nesse mundo
dormem o sono dos justos,
sonhando com as dívidas
eu desejo muitos anos de passado.
E que suas retinas guardem
o lugar mais insano,
e o sonho mais assombrado
Quanto a mim,
que nesse frio de medo
brinco com tua imagem
quero amanhecer com a lua.
Cantando os terríveis sons
de brisas que morreram na noite
da nossa separação covarde.
(Jessiely)

*
Flores pálidas
pendidas, transparentes
Uma luz branca
esvaindo-se nas vidraças
Canto cortante
cristais mortos de floresta.
Pensar que até ontem
tudo era calor...
Resquícios de aromas
paisagens brancas, desérticas...
Pensar em tudo que eu morri
por tanto amor
O teu medo, inconsequente,
assassinou a primavera.
(Jessiely)

Se ao menos
o que quebrasse na distância
fosse o ar
a dor
ou mesmo a letra
eu podia,
arriscando uma centelha
prender uns versos e uns prantos
Mas o que quebra
é mais do que eu posso,
é mais que qualquer coisa
que eu queira,
O que quebra é esse amor
que range os ossos
e que tenta apagar
fatalmente
essa fogueira.
(Jessiely)



Por essas ruas, por essas luzes amarelas...
Fui deixando pequenos contrastes
- amor e pedra -
por passos não contados no caminho
Medindo
sob estrela e a aquarela
sob o canto do bêbado e a espera
o rubro alvorecer no céu antigo
Conjuguei em versos tais,
- de universo e outros vinhos -
a certeza da entrega
em cálidas noites
de serenos antigos demais...
Os passos não contados
que ficaram de tantas vidas
já não cabem...
nem nessas luzes - segredosas de passados -
nem nessas pedras de rua
de madrugadas imortais.
(Jessiely Soares)
*Foto do Recife Antigo:
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=518469

Com pés e mãos acorrentadas
Às rochas montanhosas,
De alguma região geográfica esquecida do globo,
- talvez inexistente,
ou existente apenas em mim mesmo -
Vejo o passar da noite,
O amanhecer e o crepúsculo do dia.
- a lua é sempre
a melhor companhia.
passo menos tempo com ela,
já o sol, cega,
demora, queima
e destrói minha harmonia -
Não roubei a faísca do fogo dos deuses,
Nem mereço ser prisioneiro de um monte
Para sofrer diante de tal suplício,
Ficar inerte, preso ao chão,
Vendo uma águia vir do horizonte,
Pousar em meu peito, rasgar-me com seu bico,
E vê-la, saciada, devorar meu coração.
Antes fosse um fígado!
Pelo menos teria ainda um coração...
(Autor: André Espínola)
* Por ser tão linda, tive que furtá-la dele.
Vinho tinto em copo de barro (Anderson H e Jessy)
Postado por Jessiely Soares Marcadores: Parceria: Jessiely e Anderson HSol,
beira de lábio encarnado e seco,
onde meus cacos pela casa, onde?
no veneno
que berra,
em pleno átrio,
nomes de artéria,
sonhos de ventrículo
e porres coração, coração, coração...?!
célula suicida,
pára, astuta,
e soca o lixo refletido na vidraça!
Implode o silêncio
Que do nada me afasta
E acende a noite, noite comum, noite sem graça...
*
(Jessiely e Anderson H)

*
Se a mezzo-soprano
te soprasse uma promessa
descuidada e apressada:
Vivaldi nos auto-falantes...
Mozart, rock. tecno-funk...
se a mezzo-soprano
sussurrasse:
...Inquieto esse desejo!
e te desse esse beijo
transformasse tesão
em fato ,
em ato
num canto qualquer...
será que te esqueceria?
será que seria mais fácil?
Fetiche,
Lapso,
Regente,
Saxofone e harmonia
o coro canta
cuidado!
e ela sussurra:
que se dane!
se a mezzo-soprano
descuidada e apressada:
tropeçasse no ar
vivaldi soando
funk, punk
e o tombo
sonoro
retumbante
Braços abertos
Como asas, planícies,
Balé, vida e a voz ressonante que
Insiste e
Incide...
Se ela sussurrasse:
e te desse esse beijo
transformasse tesão
em fato, em ato.
num canto qualquer
mozart,
rock... electronic music
colapso.
Inquieto esse desejo!
o coro canta
cuidado!
e ela sussurra:
que se dane!
Na noite mal cuidada
de vodka,
vivaldi, lago dos cisnes,
nona sinfonia
Ele, moreno,
Contratenor, Dj, hinduísta.
Com ela, a mezzo-soprano
num drama musical;
Grand Ópera verídica
de uma vida insone.
o coro canta
cuidado!
e ela sussurra:
que se dane!
*
(Rosa Cardoso e Jessiely Soares)
Amanheci de chuva
sem muita manha, sem cultura,
p´ra compor uma obra-prima
que saísse qual mormaço
numa manhã de brancura.
Desde que a voz não fosse a minha
e que tu lesses a partitura.
E até escrevi a melodia
como uma coisa miudinha
que se encolhesse com o vento.
Ipê branco até chorou
quando ao canto se juntou
a velha dor arrastadinha
"... Foi numa claridade dessas
que pegado na mão dela
destilei amor
numa manhã
águas claras
e campinas
ela cheirava a coisa antiga
a terra doce, a avelã
E aquele Sol afogado
na terra morta que escorre
do pé de serra
fim de dia...
Morreu na canção que deixo
marcada aqui , rasgada a seixo
Onde faz sombra,
calor que míngua.
Na esperança tão vazia
Que ela cresça, véu branquinho
como bibelô, brinquedo
para saber que a amei tanto
naquela manhã apagada
quando contei-lhe meu desejo
e ela sorriu tão branco
tal qual a flor do Umbuzeiro..."
Passarinho bateu asas
brotou plantação de lágrimas
de saudades e de memórias
Chorei caatinga, sertanejo.
(Jessiely Soares)
Guardei sob teu leito - meu menino -
um par de asas transparentes
que noite dessas, muito quentes,
eu usei para afugentar o teu calor
Enquanto lá fora duas estrelas suspiravam
e as mortes nos levavam ao escuro...
Eu deixei, bordado em teu travesseiro,
um ponto simples numa linha quase cinza
de um triste Sol partido ao meio
de um desejo sempre e tão soturno.
para que não chegasse outra manhã em tua vida
e que a tarde morresse inda mais cedo
e eu fosse a lua da tua noite mais vazia
Como um espírito deitado, insolente
Me deixei, sempre me deixo ao teu lado
ou como um anjo, num desejo escondido,
na morada que eu fiz no teu abraço.
(Jessiely Soares)
De tanto orvalho
perdeu o medo
e pesou.
Pendeu
abriu as asas
que nem
lembrava que tinha
Voou
Era tardinha
Depois disso
não se sabe mais.
Só do arrebol
que se tem notícias
Ninguém nem lembra
como ele planava.
Coração
quando parte para o mundo
não volta mais pra casa.
(Jessiely Soares)

Por essas ruas, por essas luzes amarelas...
Fui deixando pequenos contrastes
- amor e pedra -
por passos não contados no caminho
Medindo
sob estrela e a aquarela
sob o canto do bêbado e a espera
o rubro alvorecer no céu antigo
Conjuguei em versos tais,
- de universo e outros vinhos -
a certeza da entrega
em cálidas noites
de serenos antigos demais...
Os passos não contados
que ficaram de tantas vidas
já não cabem...
nem nessas luzes - segredosas de passados -
nem nessas pedras de rua
de madrugadas imortais.
(Jessiely Soares)
*Foto do Recife Antigo:
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=518469

Prematuridade
Nesses dias de ocaso
ao meio-dia
em que tudo lança, fere, sangra, mata
me deixo em pedras frias na calçada
na esperança de chocar-me
contra o vento
Nesses tempos
em que tudo morre, tudo esfria
desenho a última dor da poesia
que se deixa adormecida ao relento
E por horas, inocentes e mostruosas
espero tua voz
vir me carregar antes do Sol...
Não é o que me dizes que me dói
a minha dor é porque tu não
me salvarás à tempo.
(Jessiely Soares)
Quando teu sorriso cai
na boca da noite
me foge o verso
e meio quilo de dissabores
por entre estrelas de mata fechada...
E se a noite não fizer nenhum sentido
ou se a madrugada
não adormecer contigo,
pinto teu olhar na alvorada.
(Jessiely Soares)

*
Se fez luar tão rápido
Que não modifiquei o verso
Nem questionei teu abraço
Se fez luar tão rápido
Que tudo o que restou
não se deixou intacto
tampouco nos iluminou
Se fez madrugada?
Não vi!
Parti antes que a escuridão
Se perdesse de novo de mim
Ficaram pedaços?
Não sei
Guardei na memória:
O que errei,
Meus súbitos desejos
E a antiga dor agreste
Se fez noite
De repente
Em tudo que me disseste.
(Jessiely Soares)

estive pensando
no peso de duas estrelas
no vácuo do universo
e em dois dedos de boa prosa
com uma cachaça
no invernar do brejo
ao som de qualquer violeiro
ou dos causos perdidos
do velho Joaquim
e tudo que me faz feliz
mesmo nas horas loucas
de fogueira e violão
é eu gostar de você
e você, contudo,
também gostar de mim.
(Jessiely)
Vem cá minha menina, não me olhe desse jeito
será que não percebes que já amanheceu?
Todas as estrelas, rumaram em cortejo
o que era morte, foi na noite
e o que era negro, já morreu.
Senta-te, não chore, deixa cá eu te ninar
não cabe acalanto se não puderes sonhar
não diga que és tola ou que o passado te envenena
é claro e lá fora já é outro rio a cantar.
( será que não ouves?)
Dá-me tuas mãos de branca seda.
Dá-me teu olhar, calado assim,
que me contém
Que todos os teus medos são tão meus
- são tão meus! -
Que essa brisa rouca
não os leva quando vem.
E quando anoitecer
que só reste teu perfume
neste campo, neste sonho
e na voz deste cantor
De nada vale a vida sem a lágrima perdida
que ao molhar teu véu insiste
em desnudar tua antiga dor
Sabe lá quantas das águas
nesse rio que há muito existe
são choros de antigas
dores e mortes invisíveis?
( Enlacemos nossas mãos, não fiques assim tão triste)
(Jessiely Soares)
Foi-se a vida
Ou foram-se as asas
Do eterno vôo da bailarina?
Dança o último sorriso
Na face rosa de menina
Flor que morre em acalanto
No escurecer dessa neblina
Canta o último versinho
Minha terna bailarina
Que a noite ainda adormece
E antes da primeira estrela
Faz o último Plié
Nessa atmosfera
Morta
Coloridas em plumas vivas
E parte, meu bem,
Parte
Entre aplausos que te esquecem
De quem teima em ficar
Nesse teatro em que tu brincas
Voas alto em teus sonhos:
Tens o palco dos ares
Para o Ballet da despedida.
(Jessiely Soares)

*
Antes que acabem
as rendas brancas da lua
e o grito da noite,
o último medo rasgará o vento.
Enquanto quatro mãos costuram,
placidamente,
estrelas nos pés de Deus,
o horizonte imerge
numa última sonata...
Antes do nascer
do dia,
na vermelha morte da madrugada
Haverá fogo nos teus olhos
e nas duas vidas
que habitam em ti,
desesperadas por amanhecer
Uma não irá morrer.
A outra,
sim.
(Jessiely)

Pode um canto triste
moldado entre folhas
pousar no meu luar?
Um dia, era manhã
quando tu 'inda cantava
e eu ainda estava lá
Sangrou a última pedra
passou o último dia
Tingiu tudo a escuridão...
E tu cerrastes
meu futuro
como versos escondidos
entre o risco
e a imensidão.
Canta agora,
meu destino
canta o canto mais doído
da velha morte que partiu
No clarear da solidão
foi-se tudo, foi-se a lua,
nos deixamos feito chuva
na última curva do rio.
(Jessiely)
Flores na brisa
cheiro de Maio
Dois versos cinzas
em breve contato
- Voa o amor por todos os lados.
Branco de dunas
ruas de Abril
noites de chuva
dia vazio
- Voa amor, aqui tudo é frio
Doces desejos
é breve, é claro
Canta o leito
que guarda o amado
- Voa amor, não fica guardado
Não morre entre cantos
de amor encantado.
Declaração de amor pelo batismo na cidade antiga"
Postado por Jessiely Soares Marcadores: Pernambuco em Poesia
*
Não, eu não sou pernambucana
nascida
Mas meus anseios crescidos na Paraíba
me deixaram tal qual Ariano:
"Paraíba é colo, recanto
mas Pernambuco
me veste de vida."
Nos olhos, do meu Recife
(assim, me apropriando)
vi o arrebol de sonhos
na noite que morre calma
Fui Marco Zero de bêbados
cantando vinhos e dores
quando a musa brilhava alta.
E surgindo, imersa em luz,
tingindo tudo que existe.
Eu, batizada por fina chuva,
namorava o capibaribe
(Com minha visão bordada
na cidade em que não reside)
"- Oh, Pernambuco que amo!
Oh,
___Recife,
______linda!"
Rasga-me a alma, confesso:
"Adota-me, pois não,
não sou pernambucana nascida
Mas é por te amar, que te verso!"
(Jessiely Soares)
Foto: Felipe Ferreira - http://www.flickr.com/photos/ff_fotograf
Agarrado no vento
Foi-se o teu rosto pra longe
Onde mora o absurdo
Naqueles dias
Os rios cantaram
- É primavera
Ao redor do mundo!
Mas eis que em mim
O frio dançava
Feito de orvalho e pedra
Entre o horizonte e o mar
Teu amor era a última morte
Anunciada
Onde viver seria algo eterno
Não me atrevi a ir além dessa dor
Virei sereno.
Fingi-me inverno
(Jessiely Soares)
E foram-se luas e flores
Até o tempo desabar,
Quase na palma da mão.
Foram-se doze primaveras
As mais lindas bailarinas
E algumas mortes, esquecidas
Dias, sim
Dias, não.
No doce último sorriso
Bordado de improviso
Naquele último luar
Éramos sonhos como medo
Enquanto as luas escolhidas
Brincavam de voar.
*
Não ouça o triste canto
que soa longe
Que o teu medo
desconheça
tal infortúnio
Não aceita a ilusão
que se oferece
Nas falsas brumas
desse desaguar
noturno.
Tesouros de Sal e nácar,
ouro e olhos
Engolidos
em mortas ondas
- frio e calcário -
Levados a profundos
reinos naufragados
Que ecoam
num madrugar
intempestivo
Não ouça o triste canto
que pressagia
"Guarda o teu medo
como à vida
O mar é a morte
do infinito."
(Jessiely Soares)
Não cantes
ode
As marés
- Mutáveis
monstruosas
Incansáveis -
Nem chores
A morte
De suas vagas
Perdida
Em bravas
Naus incontáveis
Não desenhes
Tua vida
Nas areias
Nem deixes
pegadas
Pelos ventos
Guarde das
espumas
Tuas velas
Poupe
Do medo
Teus rebentos
Só permite
Que a brisa
Do destino
Suprema
hospedeira
Dessas mágoas
Erice o teu
corpo
Em desatino
E te faça
soberana
Nessas águas
Que as ondas
adormeçam
Em teus cabelos
Que vistam
Teu corpo nu
As finas algas.
(Jessiely Soares)
Quebram na praia
Desgostos da Deusa
Em brumas de sal
jogadas na areia
E deixam o rastro
murmúrio das conchas
E mortes marinhas
de vidas alheias.
O medo nas águas
espíritos pairam
Ecoam brados
na névoa prateada
Dos assombros da noite
os choros calaram
Nos desgostos da Deusa
que quebram na praia
(Jessiely Soares)
Fotografia de: Bruno Abreu
~> http://olhares.aeiou.pt/galerias/detalhe_foto.php?tc=1&id=1438357

*
Enterrem minha alma
no espaço indivisível
entre a cruz e a espada.
E sobre ela
lancem olhares
e críticas perversas
Mas não deixem de matá-la
Enterrem meus passos
na curva do caminho
entre o vento do destino
e a voracidade do rio...
Mas não deixem
meu passado
exposto ao relento
no impetuoso frio.
Levem em sacos vazios
as últimas palavras
de alguém que morre
sem conseguir ver
o tão sonhado pôr do Sol
Rabisquem em pedaços de papel
o poema que nunca foi escrito
Inenarrável!
Pedaços de um sonho qualquer
esquecido...
Mas, não deixem que morram
meus mundos
nem meu amor-lírico
Enterrem meu corpo
antes de enterrarem meu poema
Pois eu não sobreviveria
a morte de um filho.
(Jessiely Soares)

Queria ser por um dia
artesanato qualquer
pelas ruas de Olinda.
Ser talhada em madeira
pintada com a cor da rua
e do céu que se escancara.
Queria ser exibida
aos gritos
pelo vendedor
no meio dia
nas ladeiras
íngremes
E no meio de qualquer troça
que você notasse
e por qualquer preço
me levasse pra colorir
seu quarto
Mas que toda noite me visse.
(Jessiely Soares)
Foto de Felipe Ferreira -
www.flickr.com/photos/ff_fotografia/2040962840/in/photostream/
Cacos de vidros,
companheiros fiéis
de jornada,
Fizeram da outrora estrada,
iluminado campo
de flores vítreas
Os pés, acostumaram-se,
e já caminham
por ódio, rancor
ou quiçá,
por mera
cisma.
Nuvens, arrebatadas
numa cúpula,
chovem granizo
Em rajadas
de dor e medo
Minha pena,
de morte,
perdida,
rabisca à força
nas rochas
em estilhaços
Como se a angústia
fosse tinta...
ou brinquedo
"Inspirem-me,
ó raios ,
que gritam ao longe
nos velhos dezembros
dos meus antepassados!"
Eis que
minhas palavras ainda terão asas...
alçarão meus sonhos despedaçados.
(Jessiely Soares)
Se te esculpo
na areia
toda noite...
De que me vale,
se o vento na manhã
sempre te leva?
Se te tinjo
com tinta óleo
na madrugada
A noite passa,
e a moldura
se esfacela.
Meus desejos
se amontoam
pelos cantos.
Meus cantos
se amontoam
nos desejos...
Faço,
tinjo,
declamo.
Lanço a nossa
sorte
ao som do realejo
Entre surtos de desventura
desses que ninguém
nunca previu.
No deserto
da minha cama
tenho medo
Morfeu não
serve,
nem mesmo,
pra esquentar
meu corpo frio.
(Jessiely Soares)

*
o que resta dos desenhos na areia
quando o vento vira furacão,
são retalhos de alguma saudade
espalhados em cacos revoltos no chão.
O que rasga o peito a punhal
quando a lágrima cismada entala e não cai,
são gritos recém paridos de uma artéria triste
que se contorce e faz
o medo ressurgir regurgitando espíritos
desfazendo a paz
E a lua que jaz serena
não sente o pânico a me assaltar
Derrama sentada e sonolenta
brancos raios cheios rasgados pelo ar
Finge tranquilidade deixando-se imensa
na amplidão
Mas enquanto suspira estrelas
tentando inspirar algum bêbado ou alguma canção
Repensa a vida inteira
e queixa-se também da mesma solidão.
(Jessiely)

*
Nessas tardes
que o vento faz escarcéu
com as folhas barulhentas
da palmeira
O primeiro apontar de uma estrela
não pode nunca,
ser notado
o nascer da estrela
solitária
embriagada de frio e beleza quieta
não poderá entusiasmar,
não será declamado em versos,
nem transformada em dores
pelas dores inquietas do poeta
E ela aponta
no sétimo céu
enquanto esse vento quente
continua a fazer alarido
E se surge astros oníricos
que habitam teus sonhos mais doces,
assim como a luz dessa estrela
habitando tão longe
não poderei perceber...
nem descrever teu sonhar
Teus sonhos ecoam longe,
longe demais,
para que possam me inspirar.
(Jessiely Soares)

*
Dou-lhe a minha vida
amanhã,
Quando você
me puser
nas mãos
E desenhar
meu retrato
em um pedaço surrado de papel
Em qualquer botequim dessa vida,
Enquanto pensa num jeito
de levar no peito
um pouco menos de cachaça
e mais dinheiro pra família
Dou-lhe os meus olhos,
amanhã,
Depois de ter você cansado
pedindo jantar e abraço
"O trabalho me cansou,
arruma a cama, amor?"
E dou
meu melhor sorriso...
Amanhã
Logo cedo,
Enquanto você procura
o outro par da sandália,
a velha camisa rasgada,
esperando o cheiro de café
se espalhar pela casa
Será domingo, amor,
será domingo.
E o sorriso,
que fica na cama,
logo depois de deitar
no afago cúmplice
de tantas manhãs
Ah!
Dou-lhe a lua, amanhã,
amor,
assim que você acordar
(Jessiely Soares)
Vês essa pétala
que sem cor e sem vento
acordou sozinha?
Há mais do que medo
nessa eterna aventura
que tira a vida e a recria,
perdida.
Há dor,
Há saudade,
Há pétala,
que partindo,
se despede
incerta
e
vai.
Não alcançará mais jardins,
nem rios,
nem outro jasmim,
nem carroça ou lagoa.
Mas,
bailará com o vento,
com tal sofrimento,
que até a vida atordoa!
Se cai,
se ri,
se chora,
Se voa,
Não se sabe,
não se sabe.
Morreu esta pétala
que um dia foi flor...
sem medo ou angústia
Em inércia profunda
Apaixonada
Pelo vento
deixou-se levar
- iludida -
num último pôr de sol
de uma tarde
pérfida
Vês, filha?
Vês essa pétala
que sem cor e sem vento
acordou sozinha?
(Jessiely Soares)

O meu amor
não entende de medidas,
nem de distância nenhuma.
Nem mesmo conhece
a nuvem,
que de tão alta,
não se perfuma.
Não sabe guardar
segredos,
não entende de medos,
não teme as ausências
e por isso,
não agoniza, perdido,
nas tristes noites da rua.
O meu amor
é inteiro
enquanto é dividido.
Dessas angústias ele não entende,
nem de dores
ou de tristeza alguma.
(Jessiely Soares)

*
Vou redesenhar os mapas
perdidos no limbo
da minha memória
falha.
E enxugar as goteiras
da minha pele
nas areias
espalhadas
pela estrela primeira
nos monte alheios
da noite fechada.
E não mais regredir passos
nos espaços escalados
por algum cego indeciso;
Creio porque quero crer
milagres não me seduzem
Envelhecer é ofício divino.
(Jessiely Soares)
Todo verso
carrega consigo,
como poetas
em pleno cio,
farsas, dores e pecados
palavras que singram sem rumo,
altas doses de absurdo,
desejos mudos e surdos
e um
eu te
a
_____/
__________mo
rasgado
(Jessiely)
Seu olhar causou
arrepio
E a noite sumiu
Passou.
Agora sou só a sua imagem
repetida
Em prosa,
Poesia
Versificando
Dor.
Teus olhos
Refletem raios solares
Sobre a terra fértil
Do teu rosto
Teus lábios
Respondem a apelos secretos
E o samba embala...
Me embala.
E pena que Noel
Não saiba
Que roubo o samba que te lembra
Todas as noites antes de dormir...
"Faço junto do piano esses versos pra você
Esses versos pra você, esses versos pra você"
E adormeço fingindo
Que te tenho aqui.
Separo
A dor das visões
Que me prendem
E me dilaceram
Divido
As pressões inatingíveis
As horas
desenham
O tempo
Que coloca em
movimento
Os meus
muros
e
divagações
E finjo-me criança
Enxergando de novo
Carrosséis em nuvens
Sem imaginar
A tempestade que se aproxima.
*
Calada
Nessa casa vazia de almas
E tão cheia de gente
Pessoas que vão e vem
Somente.
As horas passam
E ninguém nota
Que estou sozinha
Um eco sem pudor
impera
O ambiente claro
Irrita os olhos sensíveis
Do coração
E o espelho reflete
atrevido
A esfinge que sou
Dos olhos pra fora.
(Jessiey Soares)
Dorme.
Que teu olhar
cerrado
Abre de outro lado
Uma janela
Modesta.
E Enquanto
Eu sento
E escrevo sozinha
acredite
Sou o fio de luz
Que te banha
Pela fresta
Da tua persiana
Entreaberta.
(Jessiely Soares)
Não acho motivo algum
Para definir
As vidas
entrelaçadas
Nem todos os filósofos do mundo
Compreendem nossas páginas recém riscadas
Como nenhum dos sorrisos
noturnos
Podem sorrir com tanta suavidade
E não desejo objeções
Sonhos,
Palavras ou
frases
Sou apenas
Pardal brincando
Em tuas manhãs
Enevoadas.
(Jessiely Soares)
Não havia moinhos de vento
Nem devaneios visíveis
A olho nu
Só você segurando meu olhar
Como quem sustenta nos braços
Os hemisférios
Norte e sul.
E o céu como
Quem quer calar
Para não se envolver
Nas bocas que a vida separou
Deixou-se chover
suavemente
Entre nuvens dormentes
Mas não ficou azul.
(Jessiely Soares )
Vem
Escreve teus versos sobre a maré
Essa que desatina louca
As vertentes do fogo
E que instiga os sonhos
De quem se atreve
A perder seus versos
Nas vagas
leves
Segue
Que a noite é curta demais
Para os desenhos na areia
Para a grafite no muro
Para a nudez da lua
Pára de respirar e
Faz os versos bandidos
Nessa claridade crua
De desenhar sensações
Em rabiscos de palavras
Descansa
Mais leve agora
Depois de parir
Tua verdade obtusa
Nesse rodopiar seco de mundo
E estações de rádio
Agora
Dorme
Depois da mensagem
Jogada
E o risco de teus sonhos
Vai durar o bastante pra acalentar meus devaneios.
Até outra lua
Recriar a cachaça
Que embriagará outros amantes
Numa esquina
Ou sobre as pontes
Que cortam a cidade
De muitos artistas com sonhos bêbados.
*
O rio sussurra
Durante a passagem
Silêncios inabitáveis
Só aquela flor
Desbotada,
embalde
Conhece os mistérios
Que
_____v
_______ã
_________o...
___________v
_____________ã
_______________o...
Em sua eterna
susceptibilidade
As águas mansinhas
E turvas
Oriundas de tantas
fúrias
Não conversam
Com o mundo
Em meio à escuridão.
Apenas aquele
Resquício de vida
Minúscula e
Descolorida
Contém os
amores
E as esperanças
perdidas
Que o rio
sussurrou
- Dos trigais
A deitar
Com a força do vento
Dos moinhos
Dos filhos
Dos mananciais
E o choro de Deus
Que serenou
Em tantos cais-
Descalça
naquelas
águas
Nada ouço
O segredo emudeceu.
Que seja!
O que passa
Guarda um silêncio
fadado
Àquela
_____flor
_______que
__________O
___________vento
_____________enleia
_______..___________e
____________________Que
_______________________não
_________..______________saberá
________________________nada
______________________além
___________________que
________________seu
__________próprio
_____passado
Eu
___Fico às margens
______Sem compreender
____O ciciar
__Do rio
Mas posso esperar
Meu futuro
De olhos fechados.
e não me deixe dormir.
Tornei-me astro
Na velocidade
-como onda voraz
Fui brisa
Parada
Não sou areia
Nem ventania
Sou como onda
Já rebenta
Em teu olhar
Paraíso?
A inércia
Dos minutos ritmados
Com o bailar
Dos teus cabelos
Vento manso
Espuma branca
Mar bravio
Ainda trago
Tuas marcas
Em meu espelho.
Sabe-se lá
quantos
monstros
marinhos
perderam-se
Nas vagas
Que insistimos
Em atravessar.
Terra firme
Não tão firme
Quanto tua voz
escondida
Sob seixos,
Sob relva
respingos
salgados
Que se misturam
Ao vinho
No silêncio
________[da espera].
Minha voz
perdida
Na tua
Onde o mar
De ambos os lados
Chora e lança-se
Entoando cânticos
As deusas nuas
Porém tristes
- eu canto
apenas
Para agradecer
Que tu existes-
Dorme em seu leito
Vis tesouros
naufragados
De tantos navios
Que passaram
E eu não vi.
Na terra firme
Vive meu anjo
barroco
De tão
embriagado
Em seu vinho
barato
Nem desconfia
Que o observo
A dormir.
Enquanto
As sereias nuas
enfeitiçam
Os canoeiros
Eu te guardo
Aqui.
(Jessiely)
Quando te olho
Que somos
Tal qual
Uma tela
De Monet.
De perto
Somos pingos
E respingos
Misturados.
matizes
embriagados
Tornando o concreto
(des)concreto
De longe
Se nos olharmos
veremos
Que somos
desenho
Que o destino
pintou
Certo.
Uma bela tarde de Sol
Uma ponte que cruza o jardim
Um canteiro
Rasgado a um canto*
Teu sorriso
Cheirando a Carmim
perdido
Entre flores
machadas
Minhas mãos que
Desenham tuas mãos
Brincando com
A sombra das calçadas
Tudo isso passaria
fugaz
Se não fôssemos
pintura
arraigada
Sim,
Tenho ainda mais
certeza
Somos tela nova
Ainda escorrendo
A tinta molhada
Somos mais que desenho perfeito
Somos pingos
pingados
No peito
De algum artista
bêbado
Da madrugada.
(Jessiely)
desenrolam-se
Em sua teia brilhante
De cadeias
seqüenciais
Eu raciocino.
Calada
Produzo pensamentos
Escandalosamente altos
Que projetam ao
Meu corpo
Todos os sons inaudíveis
Do teu olhar:
Inaudíveis para os outros
- pobres mortais-
Que não conheceram
Um amor
Como esse
immortale
Indelével
Não perece
Nem sob a mais
Torrencial chuva
Ou o mais
Inebriante Sol
E ainda assim
Não deixa de ser singelo
Como uma mariposa
Ou como Libélula,
Ou ainda como Alga marinha
(ou ainda como a luz salpicada
Sob o arrebol).
Nem
Deixa de ser sutil
Como quem ama no escuro
E se satisfaz
Com os próprios segredos
Com as próprias juras
-Indescritível
Mundo-
(Os sons produzidos
calam-se
Não está exposto
A ninguém
Seu respirar
Noturno.)
E eis que caminho
desenhando
Tudo isso
Nos riscos
bagunçados
Das nuvens passageiras
Enquanto perdem-se
As horas
Em desacordo comigo
Queria o tempo
parado
O caminho
parado
O vento,
Esse atrevido,
Passando devagarzinho
E esse Céu
Que cismou em me ouvir
pensando
E conspirou
Com meus cabelos
Para me
desconcentrar
Perdeu seu tempo
Entre os meus fios embaraçados
Que esvoaçam,
Esvoaçam,
Sempre
Existirão teus dedos
Que os prendem
suavemente
Enquanto tua boca
Feita de mil desejos
E que contêm todos os
segredos
me
desvenda(rá)
E sempre
Terá esse ruído
Mudo
De horas
imortais
Que insistem
Em
Recomeçar.
Vejo-me
criança
E isso faz bem
Literalmente.
Finjo-me
bailarina
Com as mesmas
sapatilhas
Sentada ao lado
De um rio
- nascente -
Nascemos
Ora eu
Ora ele
Num afagar
de
ondulações
Desenho borboletas
Com asas
negras
E a alma
rosa
De leves paixões.
Não
Nem de longe
Sou a mesma
infante
Da qual me perdi
Sentada no
remanso
Sou apenas
Vestígio,
Estrela desastrada
Que caiu
Aqui
Desejo
Que se fez bendito
No passo
Solto e leve
Que me fez pairar
Agora
Sou corpo
inerte
que
Carrega o peso
De não
Saber planar.
(Jessiely)
Ninguém avisou
Que os segundos
Magoam o peito
Que antes eu
Julgava indolor.
Ninguém
explicou
Que o girassol
Em meus olhos
chora
E cada lágrima
derramada
Carrega um pouco
Da sua cor
Mas eu descobri
Meu rosto manchado
De certo matiz
Marrom amarelado
Carrega a dor
Solene da saudade
E essa brisa
indomável
Que carrega a chuva
Afaga os meus cabelos
Traz gotas
De orvalho:
Pura maldade.
Me deixam
calada
Com canções imaginárias
Pedaços de solidão
Numa terça feira
À tarde.
(Jessiely)
Que perdeu o rumo
Entre as promessas
(des)feitas.
Resignada
Ao fim
Em idade tão tenra
Ela ainda
Oferece à vida
A cor intacta
Da alma.
Vã oferenda
A vida detém as cores
E almas
furtivas
Tão ou mais coloridas
Que a dela, sutil
E já desfeita.
Só não tem
O detalhe
infinito
Da paisagem
Que desenhaste
No foco
Do meu olhar
Nas mesmas ondas
Que todo mundo
vê
Que beija a areia
E apaga os beijos
Ao retornar
Tu d(escreves)tes
Um caminho
traçado
contínuo
Ao segurar minha mão
Nossos passos
Não ficaram
Mas a vida
Tingiu meus pés
Despitou segredos
Confessou sua razão.
O amor deixa suas cores
A vida se esvai
Mas as marcas que o mar
Não carrega
A brisa traz
escondida
Entre as mãos.
(Jessiely)
Acrescido de asas
Sentou-se a beira da minha cama,
E me falou, sobressaltado:
- Levanta que já é madrugada,
Dissipa-se o orvalho!
Eu, incrédula
Observei seus olhos
Amendoadamente cor- de- mel
E perguntei entusiasmada
Se ele caíra do Céu.
Mas ao invés de falar
Ele sorriu, gentilmente,
E mirou ofegante
A janela distante
Do meu aposento dormente.
- Levanta, já é madrugada!
Dissipa-se o orvalho!
Mira que lá fora ao léu
Aguarda-te o amado.
Ansioso por tê-la,
E caminhar ao teu lado.
Assim sussurrando
Um tanto mais calmo
Arrebatou-se o Anjo
Do meu prédio ao alto.
Deixou-me sentada
Com o meu melhor sorriso,
Respirando calor,
Sussurrando e sentindo:
“- Estou indo meu amor
Antes que o orvalho dissipe
Orvalha meu corpo
Contigo.”
E sem asas, parti,
Pelos teus caminhos notívagos.
(Jessiely)
Preso no firmamento
Um véu de brancas estrelas
Desenha teu rosto.
Eu, inanimada
Apenas imagino
Se no teu infinito
(re)desenhas meu corpo.
No que penso
Defino
Entre tantas invenções
Um encontro
Um destino
(segundas) intenções
E fico
Sagradamente deitada
Sob o céu de antigos
Sonhos estelares
E se miras
Meu rosto
Do teu trono
Sobreposto
Sobre os anos-luz universais
Verás que sou pedaço
De tua constelação
Estrela
Que te alimenta de luz
Nada mais.
(Jessiely)
O Sol quase mata quem atravessa o leito seco do rio.
(caminha-se por toda a extensão rachada e marrom-acinzentada do que antes fora um límpido rio azul).
Recorrem às sombrinhas.
Algumas senhoras abanam as saias, na esperança que algum vento atrevido diminua-lhes o calor.
E necessitam. O calor está de matar, lá fora.
Eu aqui vejo tudo pela janela, debruçada sobre uma brisa que vem não sei de onde.
Porém, se teus olhos castanhos me fitassem e me pedissem para ficar alheio a tudo e te admirar na calçada.
Eu ficaria sob o Sol a pino.
Teria frio hoje.
(Jessiely)
E se não houvesse os caminhos,
Onde perco o que procuro?
E se não houvesse a mentira,
A dor, o absurdo?
E se não existisse o porém,
O por quê, o inexplicável?
Ou a dor que me persegue?
Ou o medo do acaso?
Ou a tristeza... A solidão?
E se não houvesse a saudade?
Que machuca, dilacera.
E se não houvesse a fome,
Naquela maldita viela?
E se eu não pudesse reinventar-me,
Ter ilusão?
E se não houvesse isso tudo...
Para que serviria a minha imaginação?
(Jessiely)
O caminho imperfeito
Eu sigo calada
-por fora, ao menos-.
Por dentro do peito
A canção se repete
desbravando
as
ladeiras
No meu corpo inerte.
E canto tão alto
Que a canção ressoa
Por olhos, ouvidos.
Na pele, na boca.
Usurpando os sentidos
Da tarde cabocla.
Mas, ninguém me ouve.
Se grito calada.
Se o que me cadencia,
É tua batucada,
Que dentro de mim
Acomoda, se espalha.
Tua voz ressoa, menino!
Devasta.
Teu canto no brilho
Do olhar
Fascinou.
Faço-me ouvinte,
Cantante,
d
e
s
g
o
v
e
r
n
a
d
a.
Por dentro deliro
Os meus descaminhos
Tua mão ritmou.
(De tanta voz tua
E tanto gesto teu
E tão meu,
No fim.)
Nossa canção,
Perfeita de gestos
De alguns traços sérios
Roubados por mim
Me en (cantou).
(Jessiely)
Lua
Na amplidão
observando-me
solitária
Esquecida,
redonda
pálida
nua
Não creia que sou
inocente
Ou que não conheço
Meu lado (obscuro)
Também tenho fases
- estou na rua -
Sei que sigo.
sozinha
Essa estrada
Saiba, conheço
Tua forma de
zombar
disfarçada
Finge que esconde segredos:
(- Não sei
Onde esta meu amor
Não me conte
Mais dissabor
Tenho medo.)
Vou seguindo;
A noite é clara,
A estrada fechada,
Iluminada por vaga-lumes.
Quero os braços
De quem amo
Para que não
Cesse o encanto
Nem a solidão
Se acostume.
Refaço a rota
Volto ao quarto
No reencontro
- sou louca
E pura -
Fecho as janelas
Não deixo frestas
Para a Luz
E os nossos
Corpos nus
Tu não verás
Lua.
(Jessiely)
dos meus sonhos,
desafio a gravidade,
inerte e imune
à realidade.
Trago teu silêncio
persistente
para meu quarto.
Madrugada nas cortinas,
despida Lua
E teu retrato
orvalhando
pela cidade.
Pobre de mim
que lancei
meus desvarios
sob o nada
e perdi
minhas razões
em certezas absurdas.
Pobre desses sonhos
tão mutantes,
metamorfoses
lancinantes,
mãos fecundas.
- há sempre uma
tristeza
nessa sala
que me inunda -
Nesses momentos
de insensatez profunda,
sou menina.
E apenas
o teu olhar
castanho
me alucina.
O Sol
Que alimenta
Seu corpo
Nas madrugadas
Sem vida
Nasce em meu ventre
E te guia
De encontro ao céu:
Raios de Surya
O corpo que banho
A luz
Que a clara manhã
tece
É o mesmo
Que na noite
Foi teu
E o calor
Que se entrega,
entorpece
Ah, noites!
Nas quais te beijo
E renasço
-Entre prazer
E espelhos-
E que no fogo
No breu
Explosões...
Sol do escuro
Te aqueço.
(Jessiely)
Link para o Orkut : http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=9192369987372761493
O Corpo corresponde
Aos apelos do som
Que me impõe
A cidade antiga
Os braços flutuam
Entre o Céu e a rua,
Entre a torre e o mar,
Entre o vinho e a Lua.
A ciranda que tece
O bailar ritmado.
Os pés que batem
Com força no chão
Um barco que aporta,
Um farol que ilumina,
A escada sem fim,
Que descortina a imensidão.
E o vinho
Que despertou as lágrimas
E te sorveu para o meu coração.
A Rua da Moeda,
As nuvens carregadas,
E a chuva
Que cismou em não cair.
Agora
Ouço
Maracatu
Longe
De ti.
(Amélia Jessiely Soares)
Qual lua desperta,
Estive em teus braços
No parapeito da janela, dispersa,
Cuja vista despencava
Numa queda sem fim
Dentro da cidade entardecida.
Os ritmos que
Transpiravam a alma
Faziam-me repensar
As certezas sobre a vida.
Na escada em caracol,
Pela torre mais alta,
Onde antes homens lutavam
Por sua terra,
Honra,
Vida.
- estive
Há poucos passos
De Deus,
Até pude sentir
Sua brisa -
E o sonho encerrou
Apenas por hora.
Com o vinho,
O beijo, a ciranda.
O Marco Zero.
E seguimos
Entre sorrisos e tropeços
A Conde de Boa Vista,
Observando olhares alheios
Deixando pelo caminho
O cheiro do mar,
O poeta na estátua antiga,
Os rastros da nossa história
Nas pontes
Sobre o rio
Sem vida
- mãos dadas
Pela cidade
Antiga -
Pedaços de sonhos:
pesadelos
É que me dilaceram.
Sou apenas
Um sentido oculto,
De um segredo
Que me disseram.
Um ser antigo,
Não na pele,
Essa mera e
Mórbida camada
Que me reveste;
Sou antiga
Em sentido amplo
-Meu espírito não
Foi domesticado
Ainda é silvestre-
(sou sentimento mútuo
Em tempo de amor agreste)
Sou desejo incontido
Em toques
Desses, daqueles,
Aos quais não posso tocar.
E às vezes,
Faço-me orvalho
Pra finalmente
Me dispersar.
E nas madrugadas
Revitalizo-me
Ser da noite
de olhar tranqüilo...
Amanhece
e
recomeço;
Proletaríssimo!
(Jessiely)
porque sempre
- sutilmente -
Vejo-me em tua praia
quando ao fim de tarde
senta-te na areia
e miras o mar
Fiz-me pássaro
porque sobrevôo teus pensamentos
-intermináveis
contratempos-
nos quais anseio ajudar
mas posso, tão somente
olhar.
Fiz-me caminho
Fiz-me teus passos
Teu desatino
e teu cansaço.
Mas nunca
Desejo inútil
entre teus braços.
(Jessiely Soares )
Onde escondes teu sorriso
Que me inundou a alma.
Ah, Alma!
Essa que se perde da matéria
Enquanto durmo
E volta ao teu quarto
Chega a um sussurro...
Deita ao teu lado
Teus olhos
Remetem-me a águas antigas,
Velhas trovas de amor,
Valiosas profecias:
-Tua retina contém segredos
Que a ninguém revelarias-
Tuas mãos, não,
Essas não defino:
Tem uma certeza das minhas curvas
Conhece meus desatinos.
Louca viagem entre astros
Matéria, sonho, delírio.
Paixão é outra coisa
Amor é isso:
-Perder a noite
Pensando alto
Quando estar em teus braços
Não é possível-.
E o tempo
Inconstante,
falso
Mantém esse
Ritmo
.
.
.
Desacelerado.
(Jessiely)
As ruas se cruzam
Com meus passos distintos
Certificando-me que sigo
Em rumo diferente
Ao da tua direção.
Perco-me nessa sensação.
Os faróis me descrevem
Assustam-me
Os pensamentos
Giram, mudam
E me pego descrevendo a angústia
Sentando ao meio-fio
Solidão...
-Os meus sentidos
Não perdem o desejo, o amor.
inconscientemente
Aplacam o meu grito
Minha dor-
Contudo.
Ergo-me.
Por que entre os néons que me cegam
Estão meus pés, incertos,
A cruzar esta cidade
-Apenas eles me restam-
A minha alma,
Há muito fugiu deste corpo
inanimado
Está longe, louca, só,
Em seu sonho desvairado,
Talvez esteja perdida pelas ruas;
Por entre poetas calados,
Crianças sem rumo,
Homens sem coração.
Mas, sonha e sorri,
( delirante )
-Que está de volta aos teus braços-.
(E quem sou eu agora para afirmar que não?)
Ecôo por essa sala
enfeitada
Por quadros azuis
-Cujo artista
Durante a vida
Não conheceu a fama-.
Estou embriagada
De solidão
-à meia luz-.
Sobre a alcatifa
converso
Com as fotos antigas
De algum parente morto.
E algum mistério absorto
Pensa me atingir
(me escondo)
O medo não irá persuadir.
A solidão da alma
Que me rouba a paz
Deixa-me vulnerável.
- Mal que me corrói a vida
Maldito câncer
Irremediável-
Ressinto
Este sabor amargo
Deste vinho tinto
Com o qual sonhei um dia
E esse sentimento vil
- Seu maior veneno -
Inefável grito de melancolia.
Esqueço a face
Madrugada afora
Tua presença
Não irá chegar.
Brindemos,
Eis que estou só
Minha imagem mórbida
A me dilacerar
À Meia Luz...
Solidão.
[ embriagar]
(Jessiely)
Já não alimento
Os tolos vícios de menina.
Nem tenho a centralidade
Do raciocínio concreto
Do que serei:
-Futuro.
O caminho que percorri
Por entre neblina
Era a minha vida;
Em dias de Sol.
E em dias calmos
Senti-me triste.
Eu tentei sorrir,
Juro!
Mas, estava tão escuro.
-Esqueci-.
Absurdo
Passar no canteiro
Entre as violetas
E não chorar.
Inconsistente
acreditar
-amanhã será melhor-.
Se eu nem sei mais se
A manhã acordará.
Impossível
Acreditar possível
Acho que perdi
A dádiva de sonhar.
Melhor deitar
Não Racionalizar,
Rezar um terço,
Fechar o corpo.
[Adormeço]
(Jessiely)
O meu amor
Não grita alto pela rua
Nem aparece na madrugada
A atirar pedrinhas na janela.
Meu amor sobrevive
À distância.
Mas se revela
- Espelha-se -
Através da Lua.
Meu amor está longe.
Minha alma
Nua.
(Jessiely)
Não tenho mais os desejos
inconseqüentes
Dos meus quinze anos.
Nem a certeza,
Quase dormente,
De que tenho certeza
Sobre alguma coisa.
Não,
Não tenho.
Não.
Não posso
Dar-te agora
Nada mais
Do que não tenho.
- o meu mundo
É overdose,
confusão
De sentimentos -
Agora,
dou-te
O que antigamente queria
E não pude.
Porém sem a rebeldia,
Sem a beleza
(há muito perdida),
E sem os planos
inexplicavelmente
Maravilhosos,
Tão miraculosamente
Planejados um dia.
Dou-te colo,
Desses feitos
Pra dormir
E sonhar.
Dou-te
A confiança
De que estarei aqui
Quando o dia acabar
Dou-te a tranquilidade
De quem
Não quer a dança
Por temer o abismo.
Dou-te a paz
Da maré baixa em
Mar antigo.
Dou-te
aliás
Dou-me.
Tenho
As mãos marcadas
Pela idade
E pedaços
De sorrisos
Que perdi nas ruas.
Mas, ainda
Tenho no peito
A calma, a serenidade.
E a alma
intacta
De uma deusa nua.
Toma-me,
Sou tua.
Não tenho mais os desejos
inconseqüentes
Dos meus quinze anos.
Nem a certeza,
Quase dormente,
De que tenho certeza
Sobre alguma coisa.
Não,
Não tenho.
Não.
Não posso
Dar-te agora
Nada mais
Do que não tenho.
- o meu mundo
É overdose,
confusão
De sentimentos -
Agora,
dou-te
O que antigamente queria
E não pude.
Porém sem a rebeldia,
Sem a beleza
(há muito perdida),
E sem os planos
inexplicavelmente
Maravilhosos,
Tão miraculosamente
Planejados um dia.
Dou-te colo,
Desses feitos
Pra dormir
E sonhar.
Dou-te
A confiança
De que estarei aqui
Quando o dia acabar
Dou-te a paz
De quem
Não quer a dança
Por temer o abismo.
Dou-te a paz
Da maré baixa em
Mar antigo.
Dou-te
aliás
Dou-me.
Tenho
As mãos marcadas
Pela idade
E pedaços
De sorrisos
Que perdi nas ruas.
Mas, ainda
Tenho no peito
A calma, a serenidade.
E a alma
intacta
De uma deusa nua.
Toma-me,
Sou tua.
Liberta do que me sufocava,
Desafio os meus segredos,
Entregue aos desvios,
Desatino-me escrevendo.
As minhas impressões
Não são pobres.
São apenas
As que me conheço.
Desarmada de vis pressões,
Transmito o que sinto
E transcrevo-me com calma.
- pobre daquele
que não derrama seu coração
sobre o papel branco
e não escreve com a alma -
Não há justificativa
Para um pensamento.
Nem é preciso suar
Para escrever o que penso.
Só preciso de um Luar
- e de um sentimento -
Pela primeira vez
Sinto-te,
Universalmente,
longe de mim.
E me desespero.
Agora,
estou
incontida,
entre lua
e vida
- me acho
e me perco -
Entre o chão
e as vigas,
que sustentam
essa mórbida vida .
Entre o concreto
em nossa história
e esse vento
que me enleia,
me desabriga.
Desatinos surgem
e me deixam
incapaz de caminhar.
Meu vinho falha:
- Na hora em que preciso
ele não consegue
me embriagar -.
E sinto-me só.
Só demais,
demais;
só.
Foi-se embora a madrugada
e eu não soube de ti,
Meio dia, presa à sala
admito : me perdi.
- A noite me fez menina -
Entre faróis que passam longe,
Entre o néon que me ilumina,
Entre os sertões que me afligem
A secar minha retina.
- Procuro-te na minha cama,
mas, nunca estiveste aqui -
Madrugada foi no vento,
sol a pino em teu lugar;
Agora sou só o lamento:
-O meu amor, onde estará?-
E assim sendo, os dias vão-se voando,
em desespero tento contê-los
Mas, são areias finas deslizando
no vão entre os meus dedos.
Encontro-me só a afugentar meus fantasmas
resignada a converter-me em saudade,
sigo os rastros da madrugada que retorna
e me embriago de insanidade.
-Então silenciosamente
Deito-me nua no meio da sala
e faço-me tua
por nossa vontade-.
Arrebatado no Céu,
Ofuscando o brilho
Do teu sorriso nas estrelas.
Eu,
Perdida em incontáveis astros
Que brilharam em teus olhos
No meio da madrugada,
Faço-me completa
Ou despedaçada
Em milhões de sentimentos.
Ao som de um saxofone
Que toca Ravel
Dependurado na sacada
Do meu pensamento.
E me deixo louca,
Qual rosa despetalada
Num desabrochar
- intocada e nua -
Ao sabor do vento
E por teus olhos
Tão detalhistas,
Numa graça louca
Sinto-me observada.
Mas, no dito momento...
Desponta o Sol
Foge a graça da noite,
Meu sonho
Foi tão real!
- acordaram comigo
a luz que banhou a noite,
o som que ouvi tocar,
e teu olhar Marginal! –
(Jessiely)
Sonho acordada
Que seguro forte as suas mãos.
Mas, você está longe,
Eu bem sei.
Porém,
Esse vento tão suave,
Esse Luar tão antigo,
Teimam em trazer-me você.
- será que se sente assim também? -
Pelas ruas em que caminhei
Fui me deixando pouco a pouco.
E em seus braços, onde adormeci,
Imprimi as formas do meu corpo.
- será que ainda lembra do quanto fui feliz? -
Agora, todas as noites.
Sento-me com a saudade
E repito que te amo:
Com a face iluminada
Pelo néon dessa cidade.
- faz-me falta o seu verso,
para embriagar-me de insanidade -
Pensativa, solitária,
Olhando um Luar vagabundo
Que cisma em me enlouquecer,
(deixo vinho esquecido, imerso em melancolia)
Fico sonhando: "Com que sonhará você?".
E dessa imersão em sentimento
Suspiro sorrindo,
Imaginando conseguir lhe falar:
- Amanhecerei ao seu lado querido,
Porque aqui tão longe,
Já nem sei mais sobreviver...
Não sou sequer feliz,
E esse Luar bandido
Não me deixa adormecer-.
- os lençóis,
a janela -
O Sol nascendo.
Os nossos corpos:
- enorme síntese
de tamanha paixão que nos uniu -
no alvorecer sobre o Recife.
E nos amamos.
Mas pega leve,
Que quero voar.
Não me solta,
Mas deixa-me solta
Que assim planando
Irei te amar.
Teu fogo é que me dilacera
E perdida em teus braços
Sou transformação!
Não me larga,
Não me deixa à toa,
Mas me deixa ser
Como eu sempre fui:
Andorinha que se refaz no vento
Nesse teu sentimento
Deixa-me leve
- mas me possui -
O Sol que nasceu sobre nós dois
E encontrou-nos perdidos em tanto
Ainda nasce e para me matar de inveja,
- Toca teu corpo,
Tão longe de mim-.
-Por essas minhas ruas de primavera
Já não encontro minhas pegadas;
Por que as deixei junto as tuas
Nas noites chuvosas, pelas ruas molhadas-.
E agora, seduzida por teus olhos,
Embriagada a relembrar os teus carinhos
Meus passos firmes, porém solitários,
Convergem a procurar o teu caminho.
E não há contramão nessa estrada
Não temo nenhum erro ou desatino;
O que vejo entre nós é mais que amor
É paz, futuro certo:
- Destino.
Sinceramente, estou melhor assim.
Abro uma garrafa do meu melhor vinho.
Desponto-me a pensar em mim.
Minha vida não foi tão inglória
Não foi caos, nem passou por passar.
Ai que morro, mas não de remorsos.
Meus olhos cerrados, não querem chorar.
A noite tem esse fato.
Aconselha-me a recordar os desejos.
Mas, se miro a figura que amei,
Vejo a cor dos teus olhos no espelho.
Eles são umas sínteses de ti
E assim, me perco dosando,
Tudo o que de bom me aconteceu.
Minha alma, aos poucos cala,
Com a lembrança daqueles olhos seus.
E se tudo for de fato, sonho ébrio.
Perco-me em teus olhos magistrais
Eu tentei – já desisti – torno-me etéreo
E saio a te roubar, mil beijos marginais.
O que tenho em mim são resquícios de qualquer eufemismo barato:
– que me acabo-
- desejos que nunca vivi-
˙·٠•♥♡ (Jessiely)˙·٠•♥♡
Tarde demais:
que sofreram demais têm,
Perscrutei minha retina,
Escrevo a giz, sentada sozinha,
Encostada calada nessa parede vermelha...
Observo o jardim, a casa da vizinha...
Olho - sem ver - por cima das telhas a vida.
Tardes assim, sem nuvem, sem Sol.
Eu me pego calada, raciocinando, sentindo.
E com um giz, ou graveto, rabisco a parede, a areia.
E escondo dentro de mim, esse sentimento antigo.
Ah, suspiro, porque na verdade não há mais nada a fazer.
Esse fim de tarde manso, esse vento de anoitecer,
Acende-me as ilusões, me deixa a especular,
- Mais um dia se foi, e não sei onde vou chegar-.
O imprevisível, o insensato, o inimaginável.
Os opostos, os desastres, os conflitos.
O certo, o concreto, o imutável.
Calo no peito a angústia e meus gritos.
Sinto-me Atlas, mesmo tendo os ombros leves.
Pois o peso do meu mundo eu carrego nas mãos
Essas mãos que rabiscam mil sonhos tão breves,
Esconde a dor que trago e a minha solidão.
No peito tenho o fardo do cansaço do espírito.
E mil sonhos destruídos no meu coração.
Espero-te ansiosa à soleira da porta;
E o vento lá fora se faz anunciar.
Quem dera amado - se chegastes agora -
Poderias enxugar esse pranto a rolar.
Andei longos anos de luto eterno;
E as horas eram lentas demais.
Passeei entre trevas, sem ver os caminhos...
Hoje eu insisto, preciso de paz!
Ouça: - A chuva aumentou está mais frio agora,
porém, aqui dentro meu peito meu coração já dorme aquecido-.
Meu pensamento vagueia por muitas ruas, embora,
Saiba que tu estás a um canto, adormecido.
Tenho espaço demais nessa casa vazia,
O lençol sobre a cama que não quero deitar.
E eu miro o retrato, nossos doces sorrisos.
São pedaços de mim, que ninguém vai levar!
Porém se havia paz, restara-lhe só agonia-.
O Sol brilhava entre as árvores, era Tardinha.
Perdida em caminhos clandestinos
Acalma-te no peito coração infeliz!
Teus passos rápidos não me predizem nenhuma paz
Não te percas, caminhando. Eu te refiz!
Não tornes a magoar-me nunca mais!
Não te permito que outra vez me faça triste
Porque não suportaria essa tristeza em meu olhar
Em teu caminho, anda calmo, observa.
Foge incessante antes de se dar, se magoar.
As tuas feridas já sararam meu inocente.
Mas, as cicatrizes, não há como apagar.
Não te tornes frio, falso ou incoerente,
Cuida-te apenas, não tornes a despedaçar.
Porque nessas quedas, perdi-me pelas calçadas.
Ouça-me, não te faças de bobo, não te deixa ludibriar.
Pois ficarás despedaçado, e já não sou mais tão capaz.
Abandonar-te-ei sangrando e não ousarei me levantar.
Acordei... Já consigo vislumbrar o meu caminho...
Não é largo, complicado nem mesquinho;
Daqui pra frente vou seguir sem me perder !
Meus passos agora... Tem a certeza de saber onde pisar...
Não piso fora... Não, não posso mais errar;
Nem tropeçar nas minhas próprias pedras !
Ah... Se em todos os meus erros, eu pudesse ver beleza !
Se em todos os ângulos eu julgasse com firmeza;
O que foi bom, o que serviu.... o que se foi ...
O que pode me deixar mil cicatrizes...
Quanto tempo nosso olhar nos fez felizes...
Em que espelho meu sorriso enferrujou ?
Mas, hoje eu coloquei firmeza sob os pés...
Posso olhar pra frente.. não me engana ao que tu és....
já vislumbro totalmente por onde sigo;
Não me assusto, eu não sou mais sozinho.
Tenho paz, tenho a estrada,
Tenho Luz no meu caminho !

























































































































