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domingo, 23 de agosto de 2009

Ave Mainha






Não sei porque
ela gosta tanto de balé
e nem sei a quem saíram
os seus cabelos lisinhos.

Sei que me faz falta
quando ela não corre na casa
mesmo quando saiu apenas
para a casa da vovó
ou pro parquinho

Sei que ela um dia seguirá seu
destino...

Mas, eu sou como ave.
Enquanto posso, aconchego-a nos braços
faço o dia dormir com cuidado
e guardo a pequena em meu ninho.


(Jessiely Soares)


Imagem: Jessiely Soares

Giz de Cera



sorriso
de meio dia

e ela canta
e pede biscoito
e água

eu entrego
a revelia

porque acho que tudo isso não acrescenta

ela nada nota

e corre, e pula
e anota

palavras que o vento inventa.


(Jessiely Soares)



Imagem: Jessiely Soares

Azul-Piscina





Eu via a novela,
ela brincava com canetas.

Impulsionando-as de um trampolim
de arranjo de flores.

A cada empurrão
uma caneta gritava

"a água está quentinha"

e o estrondo se dava
em cima do vidro da mesa
Num misto de sons e cores.

E a minha pequena ria,
ria,
a cada caneta
que das pequenas mãozinhas
pulava travessa

Por falar em coisas que se vê
não vi mais a minha esperada novela

mas, apenas a pequena
e a brincadeira inventada,
por sua azul-piscina inocência.



(Jessiely Soares)

Pequena





pé ante pedra
ela pula os degraus
até embaixo.

eu gritando feito louca

"Olha o carro!"

ela apenas sacode os cabelos
de fino embaraço:

"Não há. Posso atravessar?"

antes que eu lhe diga
sim

já está do outro lado.

Independente
quer ser ela

ainda de tranças e meias.

Não faz idéia do que é
caminhar pedra ante pé

por uma vida adulta inteira.


(Jessiely Soares)


Imagem: Jessiely Soares