domingo, 30 de setembro de 2007

Minhas poesias




Na noite em que o sentimento
Ultrapassa a alma,
E rasga a pele,
Eu sento e choro.

- Choro porque estou só.
Choro porque alivia o desgosto
Distribuindo a dor em lágrimas
Por outros membros do meu corpo-.

No momento em que sinto:
Que essa raiva me estrangula,
Que essa solidão agride,
E que essa covarde depressão me domina;
Eu desisto de repensar a vida.

-Não fumo mais,
porque não há mais fantasia
Em ver na fumaça que se esvai
Alguma possível saída-.

Hoje, não me entrego
aos delírios da embriaguez;
(Que me rendem uma ressaca na manhã seguinte.)
Nem me perco mais em livros de auto-ajuda;
(Não conseguirei mesmo me tornar Buda.)

Tudo o que me supre nessa noite
Em que solitariamente despedaço-me;
São as minhas poesias...

- Que perto assim de mim,
Comportam-se como amigas.
Não tem críticas a me tecer.
Fazem-me companhia-.

Nem cedem ao sono
Quando necessito que estejam perto.
E são estas (porcarias) poéticas que escrevo,
Que me deixam menos aflita:

- Será que não conseguiria usá-las
E reescrever a minha vida?-
( Jessiely )

sábado, 29 de setembro de 2007

É madrugada, estou só.


É Madrugada e me acho só.
Sinceramente, estou melhor assim.
Abro uma garrafa do meu melhor vinho.
Desponto-me a pensar em mim.

Minha vida não foi tão inglória
Não foi caos, nem passou por passar.
Ai que morro, mas não de remorsos.
Meus olhos cerrados, não querem chorar.

A noite tem esse fato.
Aconselha-me a recordar os desejos.
Mas, se miro a figura que amei,
Vejo a cor dos teus olhos no espelho.

Eles são umas sínteses de ti
tem cor de malícia e olhar de aconchego
pedem acolhimento e mostram coragem
seduzem sem se dar conta, me tomam por inteiro.

E assim, me perco dosando,
Tudo o que de bom me aconteceu.
Minha alma, aos poucos cala,
Com a lembrança daqueles olhos seus.

E se tudo for de fato, sonho ébrio.
Perco-me em teus olhos magistrais
Eu tentei – já desisti – torno-me etéreo
E saio a te roubar, mil beijos marginais.
( Jessiely )

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

˙·٠•♥♡ O que tenho em mim ˙·٠•♥♡




O que tenho em mim são resquícios de qualquer eufemismo barato:
São versos contraditórios, e nos quais eu não me acho.
Que me deixa na ilusão de que nada sou
– que me acabo-

O que tenho em mim são promessas
- desejos que nunca vivi-
Incontidos nessa manhã, desfiam vontades como essa.
De sentir aromas que jamais senti.


O que resta em mim são pedaços
- de todas as minhas vidas, e das mulheres que eu já fui-.
São pétalas, vinhos, vontades, abraços.
Poesias que me tomam nesse escuro que me possui.


O que me faz infeliz sou eu mesma.
E o que se esconde em mim, - já nem sei-.
Sentada nos meus ombros, está a minha consciência.
Repetindo que sou apenas, restos perdidos de tudo que sonhei.


E quando essa sensação salta da cama comigo
- o dia passa lento, quase a torturar-
Desvio os pensamentos, absorta na minha hipocrisia.
Decidida a não ouvir minha consciência a clamar :



"Tu não és quem fostes ó incompleta poesia,
És agora meu pedaço, que eu vivia a procurar.”


˙·٠•♥♡ (Jessiely)˙·٠•♥♡

Último Passo


Chove.
E aqui dentro de mim,
mil pensamentos e sensações.
Tudo menos frio.

Chove.
-Chove dentro de mim,
As lágrimas pela irracionalidade humana-.

E meu olhar, silenciosamente,
Chove de raiva;
Raiva das pedras que atirastes
Mesmo ao ver-me desarmada.

E, se me aparecesses - olhar marejado, voz turva-
Tarde demais:
- Tuas lágrimas não podem me afetar.
Teus sonhos desfeitos não me entristecem-.


E com a forma concisa que somente aqueles
que sofreram demais têm,
Eu mirei minha imagem no espelho,
Perscrutei minha retina,
Percebendo-me vazia... Sussurrei.
“-Livre!”.


Foi o último passo que trilhamos juntos.
( Jessiely )

Eu


O que eu escrevo não passa de porcaria
E o que eu digo não faz mais sentindo pra mim
Sou a perfeita inversão de alguma alegria
Estou na contagem regressiva do meu fim.
- Melancólica -
( Jessiely )

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Criação.





Escrevo a giz, sentada sozinha,
Encostada calada nessa parede vermelha...
Observo o jardim, a casa da vizinha...
Olho - sem ver - por cima das telhas a vida.

Tardes assim, sem nuvem, sem Sol.
Eu me pego calada, raciocinando, sentindo.
E com um giz, ou graveto, rabisco a parede, a areia.
E escondo dentro de mim, esse sentimento antigo.

Ah, suspiro, porque na verdade não há mais nada a fazer.
Esse fim de tarde manso, esse vento de anoitecer,
Acende-me as ilusões, me deixa a especular,
- Mais um dia se foi, e não sei onde vou chegar-.

O imprevisível, o insensato, o inimaginável.
Os opostos, os desastres, os conflitos.
O certo, o concreto, o imutável.
Calo no peito a angústia e meus gritos.

Sinto-me Atlas, mesmo tendo os ombros leves.
Pois o peso do meu mundo eu carrego nas mãos
Essas mãos que rabiscam mil sonhos tão breves,
Esconde a dor que trago e a minha solidão.

No peito tenho o fardo do cansaço do espírito.
E mil sonhos destruídos no meu coração.

Adormecido





Espero-te ansiosa à soleira da porta;
E o vento lá fora se faz anunciar.
Quem dera amado - se chegastes agora -
Poderias enxugar esse pranto a rolar.

Andei longos anos de luto eterno;
E as horas eram lentas demais.
Passeei entre trevas, sem ver os caminhos...
Hoje eu insisto, preciso de paz!

Ouça: - A chuva aumentou está mais frio agora,
porém, aqui dentro meu peito meu coração já dorme aquecido-.
Meu pensamento vagueia por muitas ruas, embora,
Saiba que tu estás a um canto, adormecido.

Tenho espaço demais nessa casa vazia,
O lençol sobre a cama que não quero deitar.
E eu miro o retrato, nossos doces sorrisos.
São pedaços de mim, que ninguém vai levar!

Amo-te


Amo-te.
Não porque foste meu por tempos imemoriais
Ou porque o lirismo comedido te trouxe entre versos e sonhos.
Amo-te porque me fizeste sorrir quando me faltava tudo o mais.

Amo-te.
Não por teus olhos castanhos (que me deixam extasiada),
Ou por tuas mãos (que me acariciam e me dão vida nova),
Mas pelo que sinto quando me olhas, me abraças,
E sussurras que longe de mim já não há mais nada.

Amo-te.
E não é surpreendente.

Se entre tantos eu te vi e me notaste.
Se naquele instante tu me reconheceste e recuaste o passo,
Voltando placidamente ao meu encontro,
E eu, já embriagada de tanto uísque,
Senti o encontro dos teus lábios no meu rosto,
Um - oi - sussurrado ao ouvido.

E tu não o sabes, (ou talvez saibas):
estremeci.
O ar fugiu.
E me rendi.

Amo-te,
Pelo sublime momento no qual me beijaste,
Deixando o rosto escorrer pelo meu até alçar-me os lábios.
Pelo sorriso doce lançado tão próximo à minha boca,
Como um explorador que enfim encontrou o que buscava.

E sabes, amo-te ainda mais,
Por não soltares minha mão naquela noite,
Por não soltares minha mão naquela manhã,
Por não soltares minha mão, meu amor.

certas loucuras


Enlouquecera. Assim cismara seus pais.
Cuidaram todos em trancá-la
Procuraram em todas as ervas
Uma forma de curá-la.

Quando a porta rangia a noite,
Inquietava-se toda a família.
Guardavam-na no quarto, cerravam a porta:
- Precisas descansar!- Só ela quem não compreendia.

Tantos anos já passados, curada, ela vaga pela rua.
Existe apenas - é um rosto na multidão-.
Com seu cabelo desarrumado, mal cortado
e o olhar que mira somente o chão.

Roubaram-na a juventude,
prenderam-na num castelo,
mas, alegaram que ela superaria.
-Se foram insanidades, deixaram-na sã;
Porém se havia paz, restara-lhe só agonia-.

Agora anda só, não fala, não olha.
Não chora, não ri, não dança...
Ceifaram a loucura? Sinceramente eu não sei.
Mas ceifaram-lhe a vida, a juventude, as esperanças.

“Foi o melhor pra ela” dizem seus pais
Eu aqui, fico com minhas desconfianças...

Raios de saudade




Afora teu cheiro, e teu carinho,
Nada mais me faz sentir falta.
Por nenhum outro motivo me faço esquecida :
- Deitada na rede, no meio da sala-.

Por mais que tente fugir;
Teu olhar me prende mais.
- Em que ruas eu tornarei a tocar-te?
Quando me devolverás tua paz?-

E a saudade me toma sem espera,
Os olhos marejados e um Sol que já se esconde no horizonte.
Torno-me raios de Saudades pelas ruas estreitas;
Na esperança que numa delas te encontre.

Cairia em teus braços,
Levar-me-ia embora
Junto com teu corpo,
Não me importa para onde,
- Nem a hora-.

A Tarde



O Sol brilhava entre as árvores, era Tardinha.
O chão salpicado de luz e sombra.
Eu observava calada, uma menina;
Que brincava feliz na grama na pracinha.

E os cabelos que voavam serelepes,
E os sorrisos que escapavam do rostinho,
E o brilho em seu olhar que se repetia
A cada revoar dos passarinhos.

Estive então, a rever um filme - em preto e branco -.
Que se passara há alguns anos atrás.
- Eu tive esse mesmo sorriso, essa alma leve.
Eu tive a mesma inocência, a mesma paz- .

A tarde some. A mãe da criança à pega no colo.
E ela se vai, a relutar, fazendo birra.
Não imagina que deixou em mim essa incógnita:
“Em que praça eu esqueci a minha vida”.

Agora, remonto o meu quebra-cabeça.
Tentando entender o que passou.
- Qual espelho mantém a minha face presa?
Que inocência eu perdi num grande amor?

-E essa efêmera alegria que passa,
Deixa apenas um corpo, que trabalha e que se cansa,
Descobri, tive muita pressa pra crescer,
-Eu perdi a minha alma de criança-.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Esses dias


Tenho sofrido esses dias
Mas não esses sofrimentos por perdas eternas:
Dessas que afligem,
Desequilibram, dilaceram.

Eu tenho sofrido as apáticas dores de existir.
- aquelas puramente inexplicáveis
e inexplicavelmente puras-
Estas já enraizadas em meu ser,
Acredito que já nasceram comigo.

Nesse meu sofrimento indefinido
Padeço vendo o Sol nascer,
E mesmo quando está a pino;
-ao meio dia- Parece que não pode me aquecer.

Fico sentada sozinha,
vendo o despontar da lua,
E nesse desencontro comigo mesma,
Parece que o astro me repele.
-Não me vejo mais como antes,
E nem saio mais à rua-.

Olhar-me no espelho para quê?
Não reconheço minha face.
Miro uma ou duas rugas,
Das quais não me recordo de ter visto,
Hoje pela manhã...

Ando pela casa, silenciosamente.
Essa ansiedade tem mesmo que aparecer?
Tenho que colocar a cabeça no travesseiro e dormir...

Não agüento ver,
Que já é manhã.
De um outro dia.

Mais um filho



Perdida em caminhos clandestinos
Fiz-me verdade, escultura, coração.
E nessa indecifrável reviravolta
Redijo incógnita sob a voz do coração.

O que escrevo é incorpóreo, incorruptível.
-espiritualidade, instinto maternal -.
O poema que expresso é mais um filho
Que lanço puro ao mundo material

E que seja, intempestivo nascimento,
Essa declaração sutil escrita em versos
Que contém mais de mim do que confesso
E em silêncio se espalha à reescrever o tempo

Prodigiosamente despedaço-me-
por já não ser o que eu era antes-
E incutida em desatinar um sonho ébrio
Perdida entre versos lancinantes

E os poemas que eu sinto, dou a luz.
-Aliviada-.
E depois que eles nascem sou feliz.
Sou mãe – esquecida- nas vertentes da minha estrada.

Pétalas Rubras


Pétalas Rubras no fim da tarde eu chorei.
E o silêncio desse instante me transpassa
Mil pecados, com o meu coração eu pequei.
E por castigo eu perdi as minhas asas.


Horizontes longínquos não te alcançam
E meu corpo é torpe andarilho a vagar
Sem destino, motivo ou descanso.
O silêncio em meus olhos faz meu coração gritar


E esse grito contido é desespero
E não pensar me embaraça os pensamentos
Não saber o que a vida me destina é loucura
- seguir sozinha, é tristeza, é tormento-.


Pétalas rubras no fim da tarde eu chorei.
A noite veio mansa, nem percebi.
Repensando os caminhos que trilhei
Entre lágrimas e lençóis eu adormeci.

Coração insano





Acalma-te no peito coração infeliz!
Teus passos rápidos não me predizem nenhuma paz
Não te percas, caminhando. Eu te refiz!
Não tornes a magoar-me nunca mais!

Não te permito que outra vez me faça triste
Porque não suportaria essa tristeza em meu olhar
Em teu caminho, anda calmo, observa.
Foge incessante antes de se dar, se magoar.

As tuas feridas já sararam meu inocente.
Mas, as cicatrizes, não há como apagar.
Não te tornes frio, falso ou incoerente,
Cuida-te apenas, não tornes a despedaçar.

Porque nessas quedas, perdi-me pelas calçadas.
Ouça-me, não te faças de bobo, não te deixa ludibriar.
Pois ficarás despedaçado, e já não sou mais tão capaz.
Abandonar-te-ei sangrando e não ousarei me levantar.