
*
Guardei sob teu leito - meu menino -
um par de asas transparentes
que noite dessas, muito quentes,
eu usei para afugentar o teu calor
Enquanto lá fora duas estrelas suspiravam
e as mortes nos levavam ao escuro...
Eu deixei, bordado em teu travesseiro,
um ponto simples numa linha quase cinza
de um triste Sol partido ao meio
de um desejo sempre e tão soturno.
para que não chegasse outra manhã em tua vida
e que a tarde morresse inda mais cedo
e eu fosse a lua da tua noite mais vazia
Como um espírito deitado, insolente
Me deixei, sempre me deixo ao teu lado
ou como um anjo, num desejo escondido,
na morada que eu fiz no teu abraço.
(Jessiely Soares)
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