domingo, 5 de abril de 2009

Dos vidros partidos



Eu me contabilizo em meio a multidão desenfreada.
Eu me enumero sozinha.

poros,
unhas,
praia
e retina


Tenho um tipo de frequência cardíaca
que não cabe no peito

nem nas contagens

menos ainda
nos desfribiladores
e na medicina


eu sou um caco,
um penúltimo ato,
uma paisagem,

um abrigo para a chuva.

eu sou algo que divide
mas não tenho densidade
para impedir que a ventania
adentre as madrugadas.
Eu sou uma cortina.

A tristeza está lá fora
como uma garoa fina e alvoroçada

Eu não quero que ela entre...
bastam-me os relógios.

Mas minha janela está quebrada.



(Jessiely Soares)
Imagem por whereohwhere

1 comentários:

Lucas Vallim da Costa disse...

Gostei muito das coisas que você escreve, e vim solicitar parceria. Eu coloco teu link lá no meu blog, e você coloca o meu por aqui. me responda quando der. Voltarei mais vezes, até logo.