sábado, 26 de setembro de 2009

Ella





"Se as minhas mãos pudessem desfolhar"

                                         (Garcia Lorca)

Ela, de acordo com o dicionário, flexão feminina de ele. Metamorfose que cabia no vão de uma porta. Algo inconcluso, como um bordado de meio Sol, que não era sequer eclipse.
De mãos meio acorrentadas, com alguns trocados no bolso, era a imagem da perseverança falha.

Nada lhe pertencia.
Apenas recitava ― calada ― alguns poemas de Lorca, em um tempo de desabitar desejos.

Universo incompleto, desprovida de átomos.
Uma nudez, uma paisagem de seca.

Sequer os desvarios lhe perteciam.

Na breve contagem dos dias, se sentia a perfeição de porcelana: Mãos definidas e paradas, coração de singeleza opaca, boneca indiferente com rosto bonito.

E uma metade de um poema esquecido para ser escrito na lápide.



(Jessiely Soares)

4 comentários:

Ângela Coelho disse...

Muito linda esta poesia. Passou uma imagem de uma mulher sem ação, inacabada.
Beijos.

Fred Matos disse...

Ótimo texto, Jessiely.
Beijos

Clarinhaaa disse...

Que texto hein!!!
Aiai...
intensooo... sincero e triste...
me deu uma sensação de triste no final, pelo poema pela metade!

hunf..
mas adorei!!!

bjimmm

João Luis Calliari Poesias disse...

Gostei, Jessiely. Por favor, acesse
www.jlcalliaripoesias.blogspot.com e procure por "Paraibanas".Beijos e parabéns pelo poema. João Luis.