quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Naufragado Poeta





O sol recifense desperta
E, espreguiçando-se ainda,
Livrando-se do torpor da noite,
Com seus primeiros e fracos raios de calor,
Depara-se com uma cena curiosa:

Eu vou, sozinho numa humilde canoa,
Remando com meus remos de plástico
Pela Bacia do Pina,
Como um sobrevivente de um naufrágio
Em busca da ilha perdida.

As águas estão calmas
E se vê as margens a terra lamacenta do mangue,
Enquanto a maré baixa
Contrapõe-se à enchente na minha alma.

As pessoas sobem a ponte lá em cima,
Dentro dos carros e ônibus
E me observam até a descida:

Tomam-me por pobre pescador,
Daqueles que nem
Rede de pesca
Tem.

Quando eu sou apenas um poeta
Fugindo do naufrágio da vida.



ANDRÉ ESPÍNOLA (Recife - PE) http://andreespinola.blogspot.com

6 comentários:

Vinícius Franco disse...

Muito bom!

Jessiely Soares disse...

Ele é assim... Além de um noivo maravilhoso, um grande escritor!
:D

júlia vita disse...

Adoro seus textos! escreve super bem!
te passei um selo de blog de ouro, se interessa, ve no meu depois!

Jessiely Soares disse...

:D

Obrigada, Julia!

O André, escritor do Naufragado Poeta, também agradece.

:)

Beijos!

L. Rafael Nolli disse...

Olá, Jessiely. Primeiramente quero comentar sobre o quanto o visual do blog é bacana. O poema é muito bom, gostei do arremate que refleto sobre a idéia do ser poeta. O André mandou muito bem. Abraços.

Nathércia Sena disse...

...não é porque são meus amigos não, mas esse povo manda bem demaaais, cada dia mais e mais a poesia transborda deles! Amo e sou cheeeiona de orgulho!:)