segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Caminhar-deserto




Teu olhar
esse doido
amotinado
rebentou vidraças
estilhaçou anteparos

perverteu rumos
de um caos perfumado
que não será futuro.

onde me cabe a tua compaixão
- esse toque de leveza -
de tudo sobrou
só a correnteza

esses cacos
esse cheiro de sândalo
esse teu olhar acorrentado
aos pés de algum vale sagrado.

teu olhar
esse doido
amotinado

destruiu minhas tâmaras
- as certezas do meu caminhar deserto-
e meu cântaro.




(Rosa Cardoso e Jessiely Soares)

2 comentários:

Vinícius Franco disse...

Profundo, muito bom...

Desalinhado disse...

bonito poema :)