quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Dos pequenos episódios enluarados que ferem diariamente


Mas que névoa
que faz mudar a noite quente

quando ela se converte
em lua morta...

Enquanto eu, atirada, numa súbita e remota
revoada de emoções intempestivas

deixei sob o verso,
o suor e a camisa

de quem agora já cruzou a minha porta.

Mas que lua
que se assenta em minhas serras!

Única, como a cúpula Sistina,

como revoltas, como rubras e finas crinas
dos cavalos que pisaram o meu vento

galoparam os sentimentos em seus cascos

e meus pecados escandalosos
e capitais.

Mas, que nada, que vazio,
que noite!

Quando a brisa embriagada de dissabores
vem trazer-me a janela teu retrato.

Que lanceiro, que tristeza, que diabo...

Enterra meus desejos
numa noite morna e clara.

Do cheiro e das lembranças do futuro que'inda não veio
do medo que eu tenho, desse escuro que receio

reapareces como prece
no meio da noite morta

Deixando a brisa rouca, roçando a minha boca

Me engravidando de saudades
com as tuas mãos eólicas.


(Jessiely Soares)

1 comentários:

Érica Cristiane... disse...

Tá tudo muito lindooo!
bjinho.