Olhamo-nos:
O silêncio entendeu e fechou os olhos.
(Jessiely Soares)




Eu nunca mais escrevialgo que me deixasse em paz. Todas as poesiasvem puxando outrastrazendo tristezas pela mão em fila indiana. Mas algumas eu mordoe não escrevo.Outras eu chuto,e outrasaindaeu grito, grito, gritoaté ficar sem dor:sufoco-as no travesseiro. (Jessiely Soares)

Eu sou mulher de quase trintaMeio rupestreGosto de espalhar desenhos e canções pela casa. Não sou interessante e não sou achada em baresMas sei fazer cafunée contar piadas Sou mulher de quase trintaE sinto o peso das coisas que aprendi.Sou mãe.E isso é minha maior tarefa. Sou mulher de quase trinta e não decido qual a melhor cor para o meu cabelo.Não sinto saudades dos meus quinze anos, Sinto saudades de uma ou cinco amigasCujo tempo se encarregou de levar. Hoje posto poemasTrabalho muitas horas e faço jantarOuço histórias da minha filha e acho bonito o jeito inocente. Não penso mais em casar.Não penso em mais filhosE desisti de muitos sonhos... Sou mulher de quase trintaFlexível e gordaAmável e complicadaCom planos mirabolantes e vontade de mergulhar um dia para ver os peixinhos coloridos. Sou mulher de quase trinta.E sou muito feliz por isso. (Jessiely Soares)